Mobilidade Elétrica

Portugal é campeão na venda de carros elétricos, mas falta rede de carregamento

A procura de carros elétricos usados aumentou 129% no último ano. Os dados são de um estudo do Standvirtual.
(REUTERS/Tyrone Siu/File Photo)

Associação europeia Eurelectric diz que as vendas de veículos não poluentes dispararam 95% em 2018, mas postos de carregamento não acompanham.

Portugal é o quinto país europeu onde, em percentagem do total, se venderam mais veículos elétricos em 2018 (3,4% do total), apenas ultrapassado por nações desenvolvidas do norte da Europa, como a Noruega (onde 49,1% dos carros vendidos no ano passado foram elétricos ou híbridos plug-in), Suécia (8%), Holanda (6,7%) e Finlândia (4,7%).

Os dados são da Associação dos Fabricantes Europeus de Automóveis (ACEA) e serviram de base ao estudo mais recente da Eurelecteric, a associação de empresas elétricas europeias, sobre redes públicas de carregamento para a mobilidade elétrica, no qual Portugal já não faz tão boa figura. Isto porque, apesar do crescimento exponencial da sua frota não poluente, Portugal não chega a ter um posto de carregamento público para cada 10 veículos elétricos que circulam nas estradas.

veiculos eletricos

Ou seja, com as vendas no ano passado a dispararem 95% face a 2017 (passaram de 4237 para 8241 automóveis elétricos ligeiros de passageiros vendidos), e de novo a darem um salto de 118% no primeiro trimestre de 2019 (foram vendidos 2174 veículos 100% elétricos até março), a rede pública de postos de carregamento não acompanhou esta subida meteórica. Conclusão: nesta estatística, Portugal fica atrás de países do Centro e Leste da Europa, como Malta, Chipre, Bulgária, Croácia, Eslovénia, Estónia, Lituânia, Hungria, entre outros, onde a rede pública existente não é muito desenvolvida mas é suficientes para os veículos existentes. Isto porque, refere a ACEA, em mais de metade dos países da UE menos de 1% dos carros vendidos são elétricos, incluindo na vizinha Espanha.

“Com 40 milhões de carros elétricos e híbridos plug-in a terem de circular nas estradas europeias em 2030 [hoje não vão além de um milhão] para que possam ser cumpridas as metas ambientais, é necessária uma estratégia de eletrificação dos transportes terrestres que implique o desenvolvimento de redes públicas de carregamento, refere a Eurelectric no estudo a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

Em Portugal, garante a Eurelectric, o salto pode ser igualmente de gigante, de 16 300 veículos elétricos e híbridos hoje em dia para 655 mil em 2030 (ou seja, 40 vezes mais). “Para chegar lá, têm de ser feitos investimentos enormes de infraestruturas de carregamento. Sem isso, a descarbonização dos transportes via eletrificação está em risco. É tempo de os governos nacionais e os reguladores agirem para assegurar uma rede sólida de pontos de carregamento. Irão as autoridades portuguesas agir suficientemente rápido?”, questiona Petar Georgiev, especialista em mobilidade elétrica da Eurelectric.

Para garantir o conforto dos utilizadores, a legislação europeia recomenda um máximo de dez carros por ponto de carregamento, enquanto em Portugal ainda se assiste a uma média de 12 veículos por cada ponto.

Os investimentos necessários na rede pública de mobilidade elétrica são significativos, alerta, sem avançar valores. Mas dá exemplos de outros países próximos: entre 2017 e 2030, Espanha terá entre 4,4 e 6 milhões de veículos elétricos, sendo necessário um investimento de 1,6 mil milhões de euros em pontos de carregamento.

“A realidade a que hoje assistimos está longe de cumprir as expectativas. Em Portugal existe ainda um número insuficiente de postos públicos de carregamento. Para garantir o conforto dos utilizadores, a legislação europeia recomenda um máximo de dez carros por ponto de carregamento, enquanto em Portugal ainda se assiste a uma média de 12 veículos por cada ponto, de acordo com números da Comissão Europeia”. No top 5 dos países com mais postos de carregamento por cada 1000 habitantes, a Eurelectric identifica a Holanda, Noruega, Luxemburgo, Suíça e a Áustria.

“Pelo menos 17 países membros da UE apoiam ativamente o desenvolvimento de infraestruturas de carregamento elétrico, com os projetos a cobrirem custos de instalação, ligação dos pontos de carregamento e manutenção, com localizações em espaços públicos e privados”. Também na maioria dos países os pontos de carregamento contam com apoio financeiro, tanto público como privado.

Outra conclusão do estudo é que nos mercados mais desenvolvidos, como a Noruega, a maioria dos carregamentos acontece em casa ou no local de trabalho. A rede pública acessível é, por isso, suficiente com base no comportamento dos utilizadores na hora de carregar o carro. Já nos mercados maiores e em desenvolvimento, como a França, Alemanha e Reino Unido, que representam quase metade de todos os registos de novos carros elétricos, estes são integrados com facilidade na rede existente. Nos países de menor dimensão, mas igualmente em desenvolvimento, como a Áustria, Dinamarca e Suécia, existe uma grande procura de pontos de carregamento da rede pública, o que permite desenvolver vários modelos de negócio. Por último, nos países da Europa Central e de Leste a infraestrutura tem-se mantido a mesma, mas suficiente para o número de veículos elétricos existentes.

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