Energia

Portugal e Espanha fora dos planos da Iberdrola no eólico offshore

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Foto: Iberdrola

Em Portugal a empresa aposta ao nível do eólico onshore e da energia hidroelétrica, sendo finalista à compra das barragens da EDP.

“A transição energética é uma oportunidade na qual a Iberdrola está disponível para continuar a apostar em todas as áreas de negócio”, garante a elétrica espanhola no seu mais recente update do plano estratégico que está em curso até 2022. Até lá a empresa vai investir 34 mil milhões de euros, sendo a segunda maior fatia deste bolo (39%) dedicado às energias renováveis: 13,3 mil milhões de euros para crescer de uma capacidade instalada 29,2 GW em 2018 para 38,4 GW (dos quais 35, 1 GW já em operação ou em construção).

Recentemente, na conferência Offshore 2019, da WindEurope, a Iberdrola deu conta das suas ambições no eólico offshore em países como o Reino Unido, França, Alemanha e Estados Unidos, com um pipeline de projetos em curso (alguns deles ainda em desenvolvimento) que ultrapassa os 11 GW, revelou fonte oficial da Iberdrola ao Dinheiro Vivo durante o evento na Dinamarca.

Esta “aposta forte” no offshore eólico foi já confirmada pela empresa com os investimentos em curso a rondar os 8,4 mil milhões de euros para instalar 1,8 GW até 2022 e continuar a desenvolver projetos no mar além desta data.

Para já, “a Iberdrola irá investir aproximadamente cinco mil milhões de euros para construir 1,5 GW de energia eólica ofshore, com os projetos de East Anglia One, no Reino Unido (714 MW) e Vineyard Wind, nos Estados Unidos (800 MW)”, disse a mesma fonte.

No entanto, os planos da Iberdrola para o eólico offshore não passam, para já, pela Península Ibérica. “Não temos planos para Portugal e Espanha num futuro próximo. Ainda existe potencial considerável para energia eólica onshore e solar fotovoltaica nos dois países, e ambas as tecnologias ainda são mais competitivas que o offshore. Além disso, com as atuais tecnologias disponíveis para instalar turbinas eólicas no mar, a profundidade dos mares em que as centrais eólicas são instaladas continua a ser uma questão importante, sendo que as plataformas flutuantes ainda estão numa fase inicial do seu desenvolvimento”, disse fonte oficial da Iberdrola.

Em Portugal especificamente, a elétrica identifica sobretudo oportunidades ao nível do eólico onshore e da energia hidroelétrica, sendo uma das quatro finalistas à compra das barragens que a EDP está a vender no rio Douro, onde a espanhola já tem 20 barragens e pretende agora somar mais seis do lado português.

Criada em Espanha há mais de 100 anos, sempre muito ligada ao Douro internacional – começou mesmo por se chamar Iberduero -, hoje 60% do negócio da Iberdrola já é internacional, estendendo-se por 32 países e 100 milhões de consumidores. É a 5ª maior empresa de eletricidade no mundo em termos de capitalização bolsista e a 2ª na Europa, depois da italiana Enel (dona da também espanhola Endesa).

Infografia: Iberdrola

Infografia: Iberdrola

Neste momento, a Iberdrola tem já em operação duas centrais eólicas offshore: 389 MW em West of Duddon Sands (Reino Unido, em parceria com a dinamarquesa Orsted); e mais 350 MW em Wikinger, ao largo da costa alemã, no Mar Báltico.

Em construção está a central East Anglia One, que consiste em 102 turbinas eólicas da Siemens, cada uma com 7 MW de capacidade, para um total de 714 MW. Com a ligação à rede britânica e entrada em produção prevista para meados de 2020, a central ficará a 43 km da costa, no Mar do Norte, e ocupará uma área de 300 km2, o equivalente a 40 mil campos de futebol. Para o hub de East Anglia, a participada da Iberdrola ScottishPower Renewables anunciou mais três novos projetos (East Anglia 1 Norte, Dois e Três), com uma capacidfade combinada de 3,1 GW. A contrução terá início em 2022 e o projeto demorará quatro anos a ficar completo, com um investimento de 7,7 mil milhões de euros.

Ainda em desenvolvimento a Iberdrola tem o projeto de 496 MW na Baía de Saint-Brieuc, em França, mais 476 MW do projeto Baltic Eagle e 10 MW em Wikinger Süd, ambos no Mar Báltico, ao largo da Alemanha, todos com previsão de entrada em produção em 2022 e 2023.

Através da sua subsidiária Avangrid Renewables (numa joint venture com a dinamarquesa CPI), a Iberdrola está também a construir um projeto de 800 MW em Vineyard Wind One, localizado na costa de Massachusetts (EUA) e a desenvolver uma potencial zona eólica offshore denominada Kitty Hawk, na Carolina do Norte, com 1,2 GW. Para os Estados Unidos, a Iberdrola tem um pipeline de projetos na ordem dos 7,5 GW.

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