Portugal e Espanha sem acordo para Faro-Huelva

Parceiros ibéricos entendem-se em cluster para veículo elétrico e assinaram novo tratado de amizade e cooperação

Os governos de Portugal e Espanha voltaram a juntar-se ontem, em Trujillo, na 32.ª Cimeira Ibérica com a mobilidade sustentável como lema. Mas os parceiros ibéricos não conseguem entender-se em matéria ferroviária: exemplo disso é a falta de acordo para a construção de uma linha entre Faro e Huelva.

A intenção de ligar Algarve e Andaluzia sobre carris foi manifestada pelo primeiro-ministro português, António Costa, na conferência de imprensa pós-cimeira. A proposta tem sido defendida pelas associações empresariais das duas regiões mas o governo espanhol não está interessado, pois teria de assumir a maior parte dos custos de construção.

A cimeira ibérica também não apresentou uma solução política para que volte a haver um comboio direto entre Lisboa e Madrid. Suspensa desde março do ano passado, a travessia ferroviária entre as duas capitais ibéricas obriga, atualmente, a usar quatro comboios e a mais de 10 horas de viagem.

A transportadora espanhola Renfe já propôs um comboio diurno direto Madrid-Lisboa, com a duração de sete horas. A homóloga portuguesa CP recusa-se a assumir prejuízos e apenas admite operar um comboio noturno, como acontecia até à chegada da covid-19.

Tudo indica que só depois de 2023 será possível viajar num só comboio entre Lisboa e Madrid, com a conclusão da construção da nova linha entre Évora e Elvas. A viagem entre as duas capitais ibéricas irá demorar cinco horas e no novo troço será possível viajar a 250 km/h, patamar mínimo para alta velocidade.

Na cimeira de ontem, António Costa assumiu em público, pela primeira vez, que o novo troço, de 80 quilómetros, também vai servir para o transporte de passageiros e não só para mercadorias.

Antes da cimeira do ano passado, na Guarda, a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, sugeria que os portugueses já tinham no avião um meio rápido para viajar entre Lisboa e Madrid.

Carregamentos compatíveis

Os dois países estão mais de acordo quando a mobilidade sustentável é sobre o alcatrão. Na cimeira ficou acordada a criação de uma plataforma conjunta para o desenvolvimento de veículos elétricos.

Através do cluster do veículo ibérico, Portugal e Espanha pretendem desenvolver projetos industriais integrados, contribuir para a "interoperabilidade da infraestrutura de pontos de carregamento elétrico", desenhar um programa para a mineração de lítio e estabelecer uma plataforma de colaboração em atividades de inovação e desenvolvimento.

A questão do gás

A escalada dos preços da energia também fez parte da agenda da cimeira ibérica. A ministra espanhola da Transição Energética, Teresa Ribera, anunciou que a Argélia está disponível para aumentar o fornecimento de gás natural, compensando o fim dos envios via Marrocos.

O reforço será feito pelo incremento da capacidade do gasoduto Medgaz - atualmente com oito mil milhões de metros cúbicos por ano - e pelo transporte por via marítima.

Portugal e Espanha assinaram ainda o novo tratado de amizade e cooperação, renovando o acordo assinado originalmente em 1977, com Mário Soares e Adolfo Suárez enquanto chefes de Governo.

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