Emprego

Portugal é o 7º pior da UE no acesso a formação no emprego

Foto: DR
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Relatório "Working conditions in a global perspective" pretende fornecer evidências para a promoção de políticas que melhorem a qualidade laboral.

Portugal tem a sétima percentagem mais baixa da União Europeia no que toca ao acesso a formação no emprego, indica o relatório conjunto da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e da Eurofound.

“Working conditions in a global perspective” é uma análise sobre as condições laborais em 41 países (28 países da UE, China, República da Coreia, Turquia, Estados Unidos da América, Argentina, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá e Uruguai) baseada em dados entre 2005 e 2015.

A aprendizagem ao longo tem sido um objetivo da política europeia desde os anos 1990. Os dados do relatório revelam que o acesso à formação aumentou ao longo do tempo. O número de trabalhadores que afirma ter recebido formação gratuita promovida pela entidade empregadora subiu de 26% em 2005 para 38% em 2015.

No que toca à formação no emprego, Portugal ocupa o 7.º lugar mais baixo da União Europeia, onde menos de 30% trabalhadores afirmam ter tido esta oportunidade. No top cinco encontram-se a Finlândia, a República Checa, a Irlanda, o Reino Unido e a Holanda, todos com mais de 50% dos trabalhadores a usufruírem de formação no emprego.

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(Fonte: Working conditions in a global perspective )

No geral, os funcionários que beneficiaram de programas de formação apontam benefícios como o melhor desempenho nas suas funções, segurança no trabalho e melhores perspetivas para o futuro no que toca à empregabilidade.

O relatório indica que existem desigualdades no que diz respeito ao acesso à formação. Uma das preocupações prende-se com o facto de os trabalhadores que possivelmente mais precisam de formação, aqueles com menores níveis de educação, com contratos de termo fixo, em tempo parcial ou sem contrato, são aqueles que menos acesso têm.

Existem padrões relativos ao género no acesso à formação. Há países, onde os homens têm mais acesso a estes programas do que as mulheres, como a República da Coreia e a Turquia. Na Europa, o caso muda de figura. São as mulheres que mostram ter mais acesso à formação, apesar de as diferenças serem ligeiras.

“Boas condições de trabalho contribuem para o bem-estar dos trabalhadores e trabalhadoras e para o sucesso das empresas”, afirmou Manuela Tomei, diretora do Departamento das Condições de Trabalho e da Igualdade da OIT. “Entender as questões que afetam o bem-estar e a produtividade de mulheres e homens trabalhadores é um passo fundamental para alcançar um trabalho digno para todas as pessoas. Isso é particularmente verdadeiro num momento em que novas tecnologias e novas formas de organização do trabalho estão a reformular o mundo do trabalho”.

Um sexto dos trabalhadores da UE faz 48 horas por semana

Um sexto dos trabalhadores da União Europeia trabalha 48 horas semanais ou mais e um terço está sujeito a um trabalho intensivo. De acordo com um dos gráficos do documento, em Portugal trabalha-se em média 45 horas por semana, apesar de a legislação laboral prever o limite das 40 horas semanais.

Segundo o relatório, mais de metade das pessoas da República da Coreia, Turquia e Chile trabalham mais de 48 horas por semana.

Quanto ao trabalho intensivo, “com prazos apertados e trabalho de elevada intensidade”, é habitual para 50% dos trabalhadores dos Estados Unidos, Turquia, El Salvador e Uruguai.

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