Portugal é o país da Europa que fecha mais portas às mulheres nos conselhos de administração

Maria Celeste Hagatong, a nova presidente da direção das empresas cotadas, é um bom exemplo de liderança no feminino
Maria Celeste Hagatong, a nova presidente da direção das empresas cotadas, é um bom exemplo de liderança no feminino

A situação não é nova, Portugal tem poucas empresas com mulheres em cargos de topo e ainda menos com mulheres na presidência. No ano passado, de acordo com um estudo da Bloomberg, era já o País da Europa como menos mulheres à frente das empresas, pior do que a Grécia ou Itália.

A agência utilizou o Índice Stoxx Europe 600, que reúne 600 empresas (grandes, médias e pequenas) de 18 países europeus, para concluir que em Portugal, apenas 5% dos quadros empresariais têm uma ou mais mulheres.

Os números colocam-nos no último patamar da Europa, mas esta realidade é muito característica dos países do Sul da Europa, onde as passagem à vida ativa aconteceu mais tarde para o sexo feminino.

Colada a Portugal, com 6,7% de quadros femininos, aparece a Grécia e, com 10,5% a Itália, países também do Sul da Europa. Pouco diferente é a situação em Espanha, onde a percentagem de empresas com mulheres na liderança nem chega a 14%.

Os países com mais empresas lideradas por mulheres são os do norte da Europa onde há muito foram introduzidos incentivos para que haja mais chefes dos sexo feminino.

O melhor país para mulheres liderarem é, por isso, a Noruega onde a proporção de mulheres no topo chega a 40%, atrás vem a Finlândia e a França, países que obrigam as empresas a atingirem determinadas quotas de mulheres.

No entanto, em Itália, Espanha, Alemanha, Bélgica ou Holanda, estas quotas também existem, mas servem apenas para os quadros de direção, deixando de fora cargos de gerência ou de chefia de determinados departamentos.

O Parlamento Europeu votou, em outubro do ano passado, uma nova legislação que pretende assegurar, até 2020, um acesso igualitário ao topo da hierarquia corporativa, exigindo que pelo menos 40% dos membros não-executivos dos conselhos de administração das empresas europeias cotadas em bolsa sejam mulheres.

Pelas contas deste organismo europeu, as mulheres representam atualmente apenas 15% dos membros não-executivos dos conselhos de administração das maiores empresas europeias e apenas 2,4% dos diretores executivos.

A discussão deste ano de Davos também já abordou o problema, que não é só europeu. Ali, Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional contou um pouco da sua experiência: era “fortemente contra” quotas nas empresas, mas desde que trabalhou em Chicado na Baker & McKenzie percebeu a importância que a imposição pode ter numa empresa.

“Cresci numa grande firma de advogados que adoro, mas o número de sócias mulheres foi tão baixo e durante tanto tempo que depressa percebi que apenas se introduzissemos objetivos, e não quotas, não haveria qualquer oportunidade para aumentar o número de mulheres naqueles cargos”, afirmou no encontro anual do Fórum Económico.

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