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Portugal é o país da Europa que mais ganha na guerra comercial

REUTERS/Damir Sagolj/File Photo
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Trocas comerciais entre China e EUA abrandam. Os dois países procuram mercados para substituir importações. Portugal aproveita.

A guerra comercial ameaça a economia global e os avisos para os perigos vêm dos quatro cantos do mundo. As trocas comerciais entre a China e os EUA já se ressentem. Mas as duas potências têm encontrado outros mercados para substituir parte dos bens que importavam do seu oponente.

Na Europa, Portugal é o país que mais beneficia com esse desvio nas trocas comerciais entre Pequim e Washington, segundo um estudo do Nomura. Os economistas do banco japonês reconhecem que a guerra comercial é negativa para a economia mundial. Mas salientam que “há um aspecto que pode ser positivo”.

O estudo assinado por Robb Subbaraman, Sonal Varma e Michael Loo afirma que “o desvio recíproco das importações dos EUA e da China para outros países pode beneficiar algumas indústrias dessas economias”. No entanto, os economistas realçam que “é importante ter em conta que este é apenas um dos aspectos da guerra comercial. Existem muitas outras forças a funcionar e o impacto económico geral noutros países será negativo”.

Portugal ganha 0,4% do PIB

Comercio EUA China 2 net No caso de Portugal, o impacto do acréscimo das importações chinesas e americanas, decorrente da guerra comercial entre as duas superpotências, é de mais de 0,4% do PIB, segundo os cálculos do Nomura. É o valor mais elevado nos países europeus analisados pelo banco de investimento.

Os EUA aumentaram a procura por produtos petrolíferos refinados portugueses. Este tipo de bens produzido na China não escapou à lista de tarifas de Trump e a maior economia do mundo tem procurado outros mercados de importação. Já a China recorreu a importações de componentes automóveis produzidas em Portugal para compensar o decréscimo das compras desses produtos aos EUA, que foram alvo de retaliação por parte de Pequim.

Além dos produtos petrolíferos, Portugal também está a exportar mais equipamentos de controlo e medição e pneus para os EUA. O impacto positivo das compras de substituição americanas no mercado português é de 0,215%, segundo as contas dos economistas do banco.

Já Pequim, além das componentes para a indústria automóvel, está a comprar mais produtos como controladores programáveis, etileno, pasta branqueada e vinho espumante a Portugal. No total, o acréscimo de exportações portuguesas para a China que surgem como compensação ao abrandamento das trocas comerciais entre Pequim e os EUA vale 0,2%.

Europa pouco aproveita

No Vietname o impacto positivo é de 7,9% do PIB do país. A maior parte desse efeito é explicada por uma maior procura americana. Já o Chile, a Malásia e a Argentina estão a ter um benefício de entre 1,2% e 1,5%. São dos principais mercados utilizados por Pequim para substituir importações dos EUA.

“A Ásia (excluindo a China) tem os maiores ganhos na substituição de importações por parte dos EUA, enquanto o continente americano (excluindo EUA) tem beneficiado mais com as substituições de importações chinesas. A Europa não teve grandes benefícios”, salienta o Nomura.

Entre os produtos que os EUA mais procuram para compensar a diminuição das compras à China, estão produtos eletrónicos, maquinaria elétrica e mobiliário. Já a China tem procurado outros mercados para substituir as compras de soja, aviões e cereais.

O estudo incluiu uma análise às importações dos EUA e da China nos 1981 produtos que estão na lista das sobretaxas aplicadas como arma na guerra comercial. Os economistas analisaram depois, entre as 50 maiores economias do mundo, quais os países que mais ganharam e perderam quota de mercado nesses produtos nas trocas com os EUA e a China. Isto tendo como base a evolução das importações no primeiro trimestre deste ano face ao mesmo período do ano anterior.

Em mais de metade dos produtos abrangidos pelas tarifas de Washington e Pequim as duas potências tentaram encontrar mercados de substituição.

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