Portugal é o único Estado da União Europeia em que a produção de vinho vai aumentar em 2019, segundo as estimativas divulgadas pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).
A exceção portuguesa destaca-se tanto mais quanto se espera neste ano uma redução da produção mundial em 11%, devido às condições climáticas desfavoráveis, desde o gelo à seca, em particular nos três principais países produtores, a saber, Itália, Espanha e França.
Baseada em 28 países, representativos de 85% da produção mundial, a OIV estimou que a produção se situe entre 258,3 e 267,4 milhões de hectolitros, o que dá um valor médio de 262,8 milhões, abaixo dos 294 milhões registados em 2018.
Em Portugal, ao contrário, a produção deve aumentar 10% para 6,7 milhões, 4% acima da sua média quinquenal. Números que se baseiam nas previsões de colheita à data do início da vindima e que poderão sofrer, por isso, alterações. Bernando Gouvêa, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, admite que o acréscimo final se situe entre os 5 e os 10%, face à campanha anterior, mas lembra que, só depois de concluído o prazo de entrega das declarações de colheita e produção, que termina a 15 de novembro, será possível saber, ao certo, a produção deste ano.
Para este responsável, o sector precisa de reforçar a produção, mas, também, de aumentar o rendimento de todos os seus agentes, ao mesmo tempo que cresce nas exportações. “São duas variáveis que têm que ficar correlacionadas, isto é, aumentar o volume de exportações em simultâneo ao aumento do preço médio”, defende, sublinhando, ainda, que é preciso “garantir que este desenvolvimento se repercuta na cadeia de valor, de forma a que o viticultor tenha um ganho de valor. Isto é fundamental para a sustentabilidade do sector vitivinícola, tanto na agricultura como na indústria”.
Quanto à diminuição da produção mundial, que se estima ficará pelos 262,8 milhões de hectolitros, a OIV justifica-a com uma “primavera muito fria e chuvosa” e um “verão muito quente e seco”. Mas a organização liderada por Pau Roca lembra, ainda, que a campanha de 2018 tinha sido “excecionalmente elevada”. A deste ano “regressa ao nível médio do período 2007-2016, com exceção de 2013”, em que ocorreu um pico de 291 milhões.
A principal descida relativa verificada em 2019 foi em Espanha, de 24%, para 34,3 milhões de hectolitros, 12% inferiores à média quinquenal.
Em Itália e França, por sua vez, as descidas são de 15%, para 46,6 e 41,9 milhões, respetivamente.
A Alemanha também sofre uma baixa importante, de 12%, para nove milhões.
Fora da União Europeia, nos EUA verificou-se uma descida de um por cento, para 23,6 milhões de hectolitros, enquanto na Federação Russa ocorreu um aumento de 07%, para seis milhões.
No hemisfério sul, o cenário é similar, com uma descida de 05%, para 54 milhões de hectolitros, tendência que é mais acentuada na América do Sul.
Em relação a 2018, a produção da Argentina desceu 10%, para 13 milhões, a do Chile em 07%, para 11,9 milhões, e a do Brasil em 05%, para 2,9 milhões.
Mas em termos médios, por relação à média do último quinquénio, observa-se um aumento de 0,1% na Argentina, de 08% no Chile e de 11% no Brasil.
Além da América do Sul, a Austrália vai ver a produção reduzida em 3%, para os 12,5 milhões de hectolitros, enquanto a África do Sul vê-a aumentada em 03%, para os 9,7 milhões.