"Portugal é pouco conhecido na China"

Rita Jia, da Interwine, veio a Portugal reunir com o Governo. Promete multiplicar por 10 as exportações de vinho para a China

Multiplicar por 10 as exportações de vinhos portugueses para a China no espaço de cinco anos é o que promete Rita Jia, diretora geral da Interwine, a feira internacional de vinhos e bebidas espirituosas de Guangzhou. Apostada em conquistar uma presença crescente de produtores portugueses no certame, que conta com quase 700 expositores e mais de 40 mil visitantes, Rita Jia reuniu, esta semana, com representantes do Ministério da Economia e da AICEP, aos quais apresentou um plano de promoção dos vinhos portugueses.

“Portugal tem vinhos únicos, como o Porto e os Verdes, mas os vinhos portugueses não são bem conhecidos na China. Há muito espaço para melhorar e para crescer”, garante Rita Jia. Em 2015, Portugal exportou 13 milhões de euros de vinhos tranquilos, dois terços dos quais com indicação geográfica ou denominação de origem. Juntando o vinho do Porto, foram 14,2 milhões de euros. Um valor que Rita Jia considera estar muito aquém das potencialidades do mercado, garantindo que tem condições para o multiplicar por 10 no espaço de cinco anos.

Acordos de geminação das 14 regiões vitivinícolas portuguesas com igual número de províncias chinesas, a participação de 100 empresas portuguesas em cada uma das duas edições anuais da Interwine, a organização do Dia de Portugal na edição de novembro do certame, com a presença do primeiro-ministro ou do Presidente da República, bem como a organização de roadshows para empresas portuguesas na China ou a vinda de delegações de importadores a Portugal foram algumas das propostas apresentadas.

“Os chineses estão à procura de um tipo de vinho. Antes de mais, tem de ser famoso. O consumidor gosta de comprar o que é bom, o que é apreciado. Gosta de dizer aos seus convidados que estão a beber o melhor vinho de Portugal”, diz Rita Jia.

A formação é o principal défice. “Portugal tem de se apresentar como um dos maiores produtores de vinho na Europa e traduzir para mandarim os artigos dos críticos conceituados como Robert Parker oudas revistas como a Wine Spectator fizeram sobre os seus vinhos. E, claro, tem de levar os seus vinhos de topo para o mercado”, diz a responsável da Interwine.

A promoção da marca Wines of Portugal está a cargo da organização interprofissional ViniPortugal, que não quis comentar o plano de promoção proposto por Rita Jia.

A China tem sido uma aposta crescente da ViniPortugal nos últimos anos. Que, em novembro de 2014, convidou a então ministra da Agricultura, Assunção Cristas, a testemunhar, em Xangai, a assinatura do protocolo com a China Association for Importers and Exporters of Wine & Spirits, o parceiro da ViniPortugal nas ações de promoção que promove na China. Este ano, a ViniPortugal investe 700 mil euros neste mercado, com ações diversas que vão desde a participação nas feiras da Prowein, da Hong Kong Wine & Spirits Fair e da Vinexpo, à organização de provas em Guangzhou, Nanjing e Pequim, entre outras. Em junho, uma delegação de importadores visita Portugal para reuniões B2B com os produtores.

A questão é saber porque deveriam os vinhos portugueses apostar na Interwine, quando já têm presença habitual na Prowein, na Vinexpo e na Hong Kong Wine & Spirits. “Os expositores vão à procura de compradores chineses e nós conhecemo-los todos. Tenho 12 anos de experiência no mercado e uma equipa de 50 pessoas no terreno. A Prowein é organizada por alemães, a Vinexpo por franceses e o certame de Hong Kong é da responsabilidade da TDC. Eles não conhecem o mercado, não estão próximos dos importadores", argumenta.

Rita Jia refere, ainda, que não é, apenas, a participação na feira que a sua empresa promove, mas o acesso a mais de 30 roadshows por ano a diferentes regiões no país. "Também os podemos organizar em Pequim, em Xangai ou em Hong Kong. Temos a capacidade para o fazer", assegura, recomendando, no entanto, uma aposta em regiões onde a competição dos vinhos franceses "é menor". "Deviam apostar na em Guanghzou, somos a principal feira da região. Guanghzou é a capital de Guangdong e é a zona mais importante para a indústria do vinho. Mais de 50% dos importadores estão lá", defende.

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