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Portugal é uma “miragem keynesiana” avisa colunista da Bloomberg

Fotografia: Rafael Marchante/Reuters
Fotografia: Rafael Marchante/Reuters

Os kynesianos não deviam celebrar tão cedo, escreve Ferdinando Giugliano, autor de um artigo intitulado "Portugal é uma miragem kynesiana"

Consultor do Banco de Itália e da Economist Business Unit, antigo professor da Universidade de Oxford, e ex-jornalista de economia do Financial Times, em Londres. A análise que Ferdinando Giugliano faz do desempenho orçamental do governo de António Costa é negativa. Isso apesar de os críticos da política de austeridade defendida pela Comissão Europeia nos últimos anos se poderem sentir “vingados” pelos números apresentados por Portugal em 2016.

Ferdinando Giugliano explica que, mesmo com a subida das pensões e dos salários da função pública, a “coligação de esquerda” conseguiu apresentar um défice abaixo de 2,1% do Produto Interno Bruto, o melhor resultado desde que Portugal se tornou uma democracia, em 1974. Mas, sublinha o colunista da Bloomberg, “os keynesianos não deviam celebrar tão cedo. O milagre orçamental português também reflete cortes profundos na despesa de capital, para compensar a quebra das receitas fiscais”.

Apoiando-se nos dados do Conselho das Finanças Públicas sobre o investimento público, o economista diz que a redução do défice aconteceu à custa de investimento produtivo para o futuro. Este caiu 28,9% em 2016. Apenas 2,9 mil milhões de euros foram gastos em infraestruturas públicas. Trata-se de 1,6% do PIB, a percentagem mais baixa desde, pelo menos, 1995, e menos de um terço do pico alcançado em 2010, antes do pedido de ajuda externa.

“O governo português não deve ser inteiramente responsabilizado por este colapso”, ressalva Ferdinando Giugliano, sublinhando que os fundos da União Europeia para o investimento também caíram para metade (502 milhões de euros). No entanto, considera, o governo pouco fez para combater este declínio, ao aumentar a despesa corrente em 1,4%. A despesa com salários da função pública subiu 2,8%, e as transferências orçamentais 1,1%.

Pesando todos os fatores, o economista defende que “a abordagem de Lisboa não configura uma alternativa, um modelo de esquerda para o crescimento sustentável. O governo português está a redistribuir os frutos da sua recuperação, mas não está a plantar as sementes para uma nova colheita”.

 

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