Portugal emite dívida com juros negativos pela primeira vez

Cristina Casalinho, presidente do IGCP
Cristina Casalinho, presidente do IGCP

Pela primeira vez na sua história, o IGCP emitiu dívida com juros negativos. Mais concretamente, a taxa a seis meses fixou-se em -0,002%. No total, o país colocou o montante máximo previsto, de 1,5 mil milhões de euros.

O objetivo do IGCP passava por captar entre 1,25 e 1,5 mil milhões de euros com prazo a 6 e a 12 meses. A meta foi alcançada, com a agência que gere a dívida pública a colocar os 1,5 mil milhões de euros.

A novidade está na taxa de juro no prazo mais curto. Pela primeira vez, a taxa média ponderada na linha a 6 meses fixou-se em -0,002%, na prática, os investidores que subscreveram títulos de dívida portuguesa aceitam receber menos dinheiro do que aquele que emprestaram ao Estado. Neste prazo foram colocados 300 milhões de euros, com a procura a ser 4,61 vezes superior à oferta.

Já na maturidade a 12 meses, Portugal colocou os restantes 1,2 mil milhões, com o custo do financiamento a ascender a 0,021%, ligeiramente acima do valor comparável anterior. Aqui o rácio da procura foi 1,97 vezes superior à oferta.

O prémio de risco soberano na zona euro reduziu-se drasticamente face aos últimos anos, beneficiando do programa de ‘Quantitative Easing’ do Banco Central Europeu, que consiste na compra de 60 mil milhões de euros de dívida soberana da zona euro por mês até setembro de 2016.

O arranque do programa, em março, levou as ‘yields’ de várias dívidas soberanas europeias para mínimos históricos no mercado primário e no secundário, muitas delas negativas. Contudo, o mês de maio foi marcado por um ‘sell off’ global no mercado de dívida soberana, que incluiu até o ‘bund’ alemão, um histórico ativo de refúgio.

Os analistas têm tido alguma dificuldade em explicar as causas do movimento, citando, contudo, a incerteza sobre o desfecho da crise da dívida grega, dados macro económicos a indicar um menor risco de deflação e motivos técnicos.

A última vez que Portugal emitiu dívida com estas maturidades foi no passado dia 18 de março, altura o IGCP pagou uma taxa de juro 0,047% na emissão a 6 meses – um custo de financiamento abaixo de 0,1% pela primeira vez – e teve de suportar um juro de 0,094% a 12 meses. A 6 meses foram colocados 300 milhões de euros e a 12 meses um valor de 950 milhões, o que resultou num montante total emitido de 1,25 mil milhões.

Depois desta operação, o programa de financiamento do segundo trimestre do IGCP prevê ainda a realização de mais dois leilões de bilhetes do tesouro para o dia 17 de junho. Nessa emissão, que será a última do primeiro semestre, a agência pretende colocar entre mil e 1,25 mil milhões de euros a 3 e a 11 meses. Com Reuters

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Indústria do calçado. 
Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens

Portugal regressou ao Top 20 dos maiores produtores de calçado

Mina de carvão perto da cidade de Oaktown, Indiana, Estados Unidos. (EPA/TANNEN MAURY)

Capacidade de produção de carvão caiu pela primeira vez

(EPA/RITCHIE B. TONGO)

Microsoft mantém discussões para compra da filial da TikTok nos EUA

Portugal emite dívida com juros negativos pela primeira vez