Riqueza

Portugal entre os países europeus que ficaram mais desiguais

Foto: REUTERS/Rafael Marchante
Foto: REUTERS/Rafael Marchante Pessoas, Rossio, Lisboa, Portugal

Relatório revela que as famílias portuguesas preferem os depósitos a outros investimentos e que aumentaram a riqueza em 2018.

Portugal foi um dos poucos países europeus que se tornaram mais desiguais desde o início do milénio. A conclusão é do Relatório Mundial da Riqueza 2019 elaborado pela Allianz e divulgado ontem. O país está ao lado da Finlândia, França, Grécia e Suíça, levando os autores do estudo a concluírem que “estes resultados acentuam a situação desafiadora na Europa após a crise” financeira.

O ranking é encabeçado pelos Estados Unidos, Dinamarca, África do Sul e Rússia, ou seja, os mais desiguais na distribuição da riqueza. Do lado oposto estão países como a Eslováquia, a Bélgica, o Japão ou a Espanha que conseguiram reduzir a desigualdade nos últimos anos.

O indicador tem em conta todos os ativos financeiros das famílias que incluem, por exemplo, depósitos (a prazo e à ordem), ações, obrigações e outros investimentos financeiros e tem uma escala de 1 a 7, em que 1 representa as melhores posições e o 7 as piores, mas isso não significa que quem estiver no primeiro patamar tenha uma distribuição perfeita da riqueza.

Mais ricas e mais endividadas
Depois da erosão da riqueza durante os anos da crise (muito devido à desvalorização dos ativos), as famílias portuguesas estão a recuperar todos os anos desde 2013 em valor dos ativos financeiros, tendo em 2017 ultrapassado a fasquia dos 400 mil milhões de euros, tendo chegado aos 407 mil milhões no ano passado. De acordo como relatório, representa uma variação homóloga de 1,6%, estando entre os oito países da zona euro que têm uma subida. Já o valor global dos ativos financeiros detidos pelas famílias em todo o mundo perdeu valor, de 0,1%, pela primeira vez desde a crise financeira.

Já as famílias italianas, espanholas e gregas viram a sua riqueza encolher. No caso da Grécia a queda foi de 7,2%, a maior entre os países do euro avaliados.

Mas se as famílias portuguesas conseguiram aumentar o valor dos seus ativos, também fizeram o mesmo com os passivos, ou seja, dívidas e compromissos a pagar. O valor dos passivos subiu de 167 mil milhões de euros em 2017 para 169 mil milhões em 2018, o que corresponde a uma variação de 1,2%, mas ainda longe do pico de 2010, quando o passivo financeiro das famílias portuguesas chegou aos 188 mil milhões de euros.

Famílias conservadoras
O relatório analisa também a preferência das famílias portuguesas por tipo de investimento e a conclusão é que são conservadoras, ou seja, têm um perfil de risco baixo, afastando-se de ativos mais voláteis.

Mesmo com as taxas de juro dos depósitos tão baixos, os portugueses são dos que mais apostam nesta classe de ativos, apenas atrás da Grécia. Os depósitos bancários representam 45% do valor dos ativos financeiros brutos investido. Os valores mobiliários, como ações, surgem em segundo com 31% e os seguros e pensões (PPR) representam 18% dos investimentos, enquanto na Holanda, por exemplo, figuram como a principal classe de ativos (66%).

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