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“Portugal está a entrar na rota do luxo. Temos de aproveitar o momento”

Helena Amaral Neto
(Gerardo Santos / Global Imagens)
Helena Amaral Neto (Gerardo Santos / Global Imagens)

O país tem-se afirmado como destino de compras. Agora deve promover também as suas marcas, defende Helena Amaral Neto

No ano passado, venderam-se em Portugal mais de 900 carros de luxo. Sobre a totalidade deste mercado, que também por cá tem tido resultados extraordinários, não existem dados, mas “cada vez mais os portugueses estão disponíveis para gastar – fruto de maior confiança e melhores condições económicas – e essa mudança de atitude deu-se em muito pouco tempo”. Não é apenas uma perceção, confirma Helena Amaral Neto, economista especializada na área do luxo, que aponta também o turismo como fator de volume acrescido.

Sem contar com o imobiliário, “o mercado global do luxo movimenta 1,2 triliões de euros – um terço são carros, seguindo-se os personal luxury goods (tudo o que cabe numa mala, mais a própria mala)”, viagens e hotelaria, iates e cruzeiros. E por cá há uma tendência clara: “Portugal está a entrar na rota do luxo”, afirma a também coordenadora de cursos executivos na área do luxo no ISEG. E o país ganhou notoriedade enquanto destino de compras.

No último ano, Portugal foi o país europeu que mais cresceu em tax free shopping, mostra a Global Blue, com os turistas extracomunitários a gastar num dia o mesmo que os europeus numa semana. Os chineses dominam, com uma média de gastos de 642 euros/dia, contra 506 dos norte-americanos e 252 dos angolanos.

O apelo é fácil de explicar. Apesar de os preços dos artigos de luxo serem nivelados mundialmente, “há peças que não chegam a mercados como a China ou que são sujeitas a tarifas que podem pôr uma mala a custar em Xangai o dobro do que custa em Lisboa”. E ainda podem recuperar parte do IVA. “Ávidos compradores de luxo, sobretudo os millennials, estes turistas incluem-se num movimento que já é responsável por 50% das vendas mundiais de personal luxury goods: os globeshoppers, que definem as viagens em função do roteiro de compras”, explica Helena Amaral Neto. Se nesta geração as compras digitais são o ambiente natural, eles também não prescindem da experiência de loja. Pelo que chegam a ter as compras definidas e preparadas à distância, mas viajam na mesma. “As plataformas digitais em que estas marcas estão a investir e que são enfim vistas como o grande desafio no luxo são ainda complementares e não concorrenciais.”

Portugueses ou turistas, até quando pode o país continuar a surfar esta onda? “O luxo é um mercado muito difícil mas muito resiliente, pouco sensível a ciclos económicos”, diz a especialista, dando como exemplo a diferença de vendas da Apple e da Louis Vuitton (ver ao lado). Por outro lado, apesar da desigualdade, a criação de riqueza mundial é brutal, em volume e valor. Vantagens que o país devia aproveitar, posicionando-se enquanto produtor de luxo. “Temos marcas icónicas como Claus, Viúva Lamego, Undandy e outras que são finalmente reconhecidas a nível mundial pela sua qualidade. Esse caminho deve ser alargado e incentivado para posicionarmos o país e o tornarmos mais resistente a ciclos”, aconselha a economista, que já faz a sua parte com os cursos em que ajuda a dar melhores ferramentas aos gestores.

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