FIN 2019

Portugal está no radar dos investidores asiáticos

Painel do Fórum Empresarial da Feira Internacional de Negócios subordinado ao tema "Um Mundo de Oportunidades". Fotografia: André Rolo / Global Imagens
Painel do Fórum Empresarial da Feira Internacional de Negócios subordinado ao tema "Um Mundo de Oportunidades". Fotografia: André Rolo / Global Imagens

Porto recebeu fórum empresarial com 680 empresários de 46 países da Ásia, Europa, África e América Latina. Alojamento, energia e indústria são áreas de investimento

Dois dias, 680 participantes de 46 países e muito networking entre empresários. O fórum empresarial da Feira Internacional de Negócios, organizado pela Associação dos Jovens Empresários Portugal China (AJEPC), reuniu participantes da Ásia, de África, da Europa e da América Latina, muitos deles disponíveis para investir em Portugal. “Precisamos de parcerias. O vosso know how e a vossa experiência podem ajudar-nos. E nós podemos ajudar Portugal a ter mais empresas com maior peso e relevância na Europa e no mundo”, defendeu o presidente da CEIBA – China Europe International Business Association.

Derio Chan foi um dos intervenientes do painel Um mundo de oportunidades, à margem do qual explicou um pouco melhor a sua visão de parceria entre Portugal e a China. “Os portugueses são muito ricos em cultura e arte e nós precisamos de acrescentar essa componente ao valor das nossas empresas. Precisamos de fazer esse upgrade e Portugal pode ajudar. Do lado de cá são precisos investidores, recursos e pessoas que olhem para novas geografias com outras mentalidades. Acho que é uma troca justa”.

Sailesh Nathan, presidente da Diplomats Summit e da SME Chamber of China, está em Portugal pela primeira vez. Mas assume que traz oportunidades de financiamento e de investimento. “Temos empresas [associadas] que gostariam de investir em Portugal e eu venho fazer a primeira prova”. E o que procuram? “Oportunidades no alojamento e restauração, na energia e na indústria, designadamente alimentar. Mas, na verdade, o que todo o investidor procura são boas oportunidades, com bons retornos”, destaca.

Já Michael Yang, presidente da Shenzhen Overseas Chinese Association, veio ao Porto dar a conhecer o silicon valley da China, a cidade da tecnologia e da inovação, onde diariamente são submetidas 48 novas patentes e que conta com mais de 20 milhões de habitantes, com uma idade média de 32 anos. “A digitalização das indústrias mais tradicionais é uma enorme oportunidade para a cooperação entre a China e a Europa”, diz Yang. Embora esteja em Portugal pela primeira vez, tem já contactos estabelecidos com algumas companhias para o desenvolvimento de projetos conjuntos, designadamente na área da educação e cultura. “Julgo que a união das duas culturas é muito promissora”.

Mas nem só de relações bilaterais se falou no fórum empresarial. Luís Goes Pinheiro, secretário de Estado da Modernização Administrativa, apresentou as medidas do Governo para a simplificação e os seus contributos para a criação de um “melhor ambiente para os negócios”.

Já o ministro Matos Fernandes garantiu que Ambiente e crescimento económico não são incompatíveis, pelo contrário. Para atingir a meta da neutralidade carbónica em 2050, Portugal vai ter que investir 2,5 mil milhões de euros ao ano, 85% do qual será investimento privado. O impacto esperado no PIB é de 0,5% a 0,9% ao ano.

João Rui Ferreira, presidente da APCOR, concorda com o ministro do Ambiente e recorre ao exemplo da cortiça para o provar que sim, que é possível associar riqueza e ambiente: o setor fechou 2018 com um recorde histórico de exportações de 1067 milhões de euros, um crescimento de 4,8% nos últimos nove anos. “E por cada euro que exportamos retemos 85 cêntimos de valor acrescentado na economia portuguesa”.

A Feira Internacional de Negócios – que decorre em março em São Paulo, em junho em Portugal e em outubro em Macau – ficou, ainda, marcada pela assinatura de um protocolo de cooperação entre a AJEPC e o CCPIT – China Council for the promotion of international trade, tendo em vista a realização e promoção de eventos conjuntos, e a troca de apoio institucional entre as duas entidades.

O evento contou, ainda, com a atribuição de prémios às entidades que mais se destacaram no mundo da lusofonia. Ana Paula Laborinho recebeu o prémio de mérito dos países de língua portuguesa, e Mário Centeno o prémio de conhecimento da União Europeia. Carlos Mota Soares, do grupo Mota-Engil, foi distinguido pelo seu papel na América Latina e Choi Man Hin foi a personalidade luso-chinesa premiada.

Business Rail. Fazer negócios a bordo de um comboio

Dos 680 intervenientes no fórum empresarial, cerca de meia centena, oriundos da China e de vários pontos da Europa, chegaram ao Porto de comboio. O Business Rail, uma espécie de interrail de negócios, com speed meetings, é outra das iniciativas dos jovens empresários liderados por Alberto Carvalho Neto. Neste caso, o comboio partiu de Barcelona, com passagem por Madrid e Lisboa, entre outras paragens. O modelo vai ser repetido, em outubro, na China. O Business Rail partirá de Pequim a 8 de outubro, com destino a Macau, onde chegará dia 21. Pára em Shangai, Hangzhou, Shenzhen e Hong Kong para permitir entradas e saídas. A bordo irão empresários europeus, africanos e da América Latina.

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