Finanças Públicas

Portugal financia-se a dez anos com juro mais baixo de sempre

Cristina Casalinho
Cristina Casalinho

O Tesouro financiou-se em 1,25 mil milhões de euros em Obrigações do Tesouro a dez anos.

Portugal conseguiu esta quarta-feira o juro mais baixo de sempre para se financiar a dez anos. Os investidores aceitaram comprar dívida portuguesa com uma taxa de 1,939%, segundo a Reuters. O anterior mínimo tinha sido registado em fevereiro de 2015, quando o Estado pagou 2,04% para se financiar a dez anos.

A operação de financiamento desta quarta-feira permitiu ao Estado emitir o montante máximo pretendido: 1,25 mil milhões de euros. E fecha praticamente as contas do plano de financiamento para este ano. O Tesouro contava obter 15 mil milhões de euros através de Obrigações do Tesouro durante 2017. Com esta emissão o Estado já emitiu 14,85 mil milhões de euros nestes títulos desde o início do ano.

Os juros de Portugal têm tido descidas significativas nos últimos meses, beneficiando das melhores perspetivas para o rating e também da extensão do programa de compras do BCE. Esta terça-feira, no mercado secundário, a taxa a dez anos tinha passado abaixo de 2% pela primeira vez desde 2015. O mínimo de sempre tinha sido atingido em março desse ano, em 1,52%.

“Foi um resultado fenomenal para o nosso nível de risco e para a alavancagem da nossa economia. Portugal ser capaz de endividar-se a dez anos a uma taxa de 1,9 por cento era algo que não imaginávamos ver. Representa uma excelente poupança em juros para o país, que assim baixa o custo médio da sua dívida. É que não é só o juro ser baixo, trata-se de dívida longa”, considera, numa nota, João Queiroz, diretor da banca online do Banco Carregosa.

Esta terça-feira, após a taxa a dez anos ter passado abaixo de 2% no mercado secundário, os analistas já anteviam que Portugal assegurasse a emissão a dez anos com o juro mais baixo de sempre. Principalmente depois da reação do mercado às decisões tomadas pelo BCE na reunião de 27 de outubro. A instituição liderada por Mario Draghi anunciou que iria estender o programa de compras de ativos, em que se inclui a dívida pública, até pelo menos setembro do próximo ano.

Apesar de baixar o ritmo das compras de 60 mil milhões para 30 mil milhões de euros, esta semana o BCE indicou que espera, além daquele valor, reinvestir cerca de 10 mil milhões de euros por mês. Isso animou o mercado de dívida da zona euro. “O mercado de obrigações no euro está a negociar como se não houvesse amanhã desde a reunião do BCE”, referia, antes do leilão desta quarta-feira, Christoph Rieger, analista do Commerzbank.

Além disso, a expetativa de que a Fitch possa tirar o rating de Portugal de lixo no próximo mês também tem beneficiado as obrigações portuguesas. “Se escolher subir o rating, as obrigações portuguesas passarão a ser incluídas na maioria dos índices de dívida soberana logo a partir de janeiro. Isso levaria provavelmente a uma nova onda de apoio nas obrigações portuguesas”, referiu Anne Karina Asbjorn, analista do Nomura.

Apesar de a S&P já ter tirado o rating de lixo em setembro, para as obrigações portuguesas serem incluídas nos principais índices que são seguidos pelos investidores precisam que mais uma das três maiores agências de rating atribua uma classificação de grau de investimento.

Atualizada às 10:53 com mais informação e comentário de analistas

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
coronavirus lay-off trabalho emprego desemprego

Empresas com quebras de 25% vão poder pedir apoio à retoma

Lisboa,  29/09/2020 - Ursula Von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia.
(Paulo Alexandrino/Global Imagens)

“Temos de ser cuidadosos em relação à dívida, no longo prazo ela terá de descer”

ANTONIO COTRIM/ LUSA

Governo aposta no clima e competências para recuperação – mas sem empréstimos

Portugal financia-se a dez anos com juro mais baixo de sempre