Eurostat

Portugal interrompe convergência real com a Europa

Mário Centeno, ministro das Finanças. Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA
Mário Centeno, ministro das Finanças. Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA

Último grande ciclo de divergência durou entre meados de 2010 e meados do ano passado. Desde então que situação estava a melhorar. Mas agora parou.

O processo de convergência real da economia portuguesa com a europeia e da zona euro foi interrompido no terceiro trimestre deste ano, indica o Eurostat.

Segundo informaram as estatísticas europeias esta terça-feira, a economia da UE a 28 países e a zona euro cresceram, em termos reais homólogos, 2,5% no período de julho a setembro. E Portugal também, quando dantes estava a crescer acima da média.

Significa isto que o país interrompeu a convergência real (sempre que o crescimento nacional supera o europeu, diz-se que a economia está a convergir) que já se prolongava desde meados de 2016.

Nessa altura, Portugal conseguiu sair de um processo de divergência real que durou anos (o mais longo desde meados de 2010, altura em que começou o ciclo de divergência por causa da crise da dívida e da austeridade do governo PSD-CDS e da troika).

Esta dinâmica relativa face à Europa é muito importante para o ministro das Finanças, Mário Centeno, e para a política económica e orçamental (da forma que é concebida) uma vez que é fundamental para conseguir reduzir o peso do défice e da dívida pública.

Quanto mais crescer o país, mais fácil é “consolidar as contas públicas”, respeitando o Pacto de Estabilidade, e menor será a pressão para cortar despesa ou aumentar impostos.

Ainda na apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2018, Centeno referiu que “Portugal tem tido um crescimento económico e um aumento do emprego que o coloca em rota de convergência com a União Europeia” e que “este crescimento económico conjugado com a redução do défice permitirá a redução da dívida pública”.

Essa rota de convergência foi agora interrompida. O país estava a ir melhor do que a média europeia desde há um ano a esta parte. Nessa altura, Portugal cresceu 1,8%, acima do ritmo da Europa (1,7%).

Nas previsões do outono, a Comissão Europeia diz algo parecido, mas em termos anuais. Este ano, Portugal ainda converge (cresce 2,6%, a zona euro apenas 2,2%), mas no ano que vem o ciclo acaba. Portugal avança apenas 2,1%, igual ao ritmo da zona euro. Em 2019, regressa a divergência real, com o país a crescer 1,8%, menos do que média europeia (1,9%).

De acordo com o Eurostat, do que já foi apurado, o país da zona euro que mais cresce no terceiro trimestre é a Letónia (6,2%), o mais fraco é a Bélgica (1,7%), seguido de perto por Itália (1,8%). A maior economia, a Alemanha, avançou 3%. O principal parceiro económico de Portugal, Espanha, manteve um crescimento de 3,1%.

Fora da zona euro, o Reino Unido aumentou apenas 1,5%. O país menos dinâmico da Europa é a Dinamarca (1,1% de expansão no terceiro trimestre). O crescimento mais forte acontece na Roménia, com uns impressionantes 8,6%.

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