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Portugal no Brasil a mostrar que é mais do que sol e praia

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Turismo desenvolveu um evento de quatro dias no Rio de Janeiro para mostrar que somos um bom destino para investir e estudar.

Já passava da hora de almoço de sábado quando Marcos Gomes chegou com a família à Cidade das Artes, o complexo cultural no Rio de Janeiro (Brasil). A visita tinha uma missão: “Conhecer um bocadinho mais da cultura, tentar aproximar-se um pouco mais já que a gente ainda não teve oportunidade de ir” a Portugal. A viagem já está no calendário – no final deste ano ou início de 2020 – para “conhecer Trás-os-Montes, de onde o meu sogro veio, e também os pontos turísticos de Portugal, que já conhecemos pela internet e por amigos”. Mas primeiro passaram pelo Portugal 360, evento de quatro dias que se realizou pelo segundo ano neste centro no Bairro da Tijuca, com o objetivo de mostrar que Portugal é destino para férias mas também para investir, estudar e viver.

“Mais do que atingir um objetivo na perspetiva do número de turistas, é conseguir motivar os brasileiros para que nos vejam de forma diferente: um país inovador, com cultura, património e gastronomia riquíssimos, que sabe reinventar-se mantendo autenticidade e tradição”, diz Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal.

O número de turistas brasileiros a conhecer Portugal tem crescido nos últimos anos: de pouco mais de 535 mil hóspedes em 2013 para mais de um milhão no ano passado. No primeiro trimestre do ano, registou-se mais uma subida ligeira face ao período homólogo. E os viajantes da maior economia da América Latina já não encaram Portugal como um destino antiquado. Veem-nos como um país sofisticado e porta de entrada na Europa.

“Os turistas brasileiros já são o nosso quinto principal mercado e ajudam-nos a crescer em receita. E são turistas que viajam durante todo o ano. A sua motivação é em torno da cultura, da gastronomia, dos vinhos, do património, portanto também descobrem o país. Nessa lógica, as regiões que mais crescem são o centro e o norte e cada vez mais pessoas descobrem Portugal e depois acabam por comprar casa aqui; muitos têm até os filhos a estudar em Portugal”, revela a secretária de Estado do Turismo.

Segundo Ana Mendes Godinho, há 12 mil brasileiros a estudar em Portugal, sendo o principal mercado nesta área e “o nosso segundo principal em compra de casas. Esta diversidade tem uma importância cada vez maior. Muitos jovens brasileiros estão a desenvolver novos negócios, a ser empreendedores em Portugal, o que mostra que conseguimos captar talento”.

Esta viagem de Marcos Gomes a Portugal tem data de regresso – sendo funcionário público, tem estabilidade profissional -, mas não descarta a possibilidade de um dia sair do país. E não é caso único.

Um bom país para viver

Neto de portugueses, Vítor Vilela tem 62 anos e sonha “poder viver algum tempo” em Portugal. Foi a este evento procurar informações e ver o que há “de novidades, de empreendimentos imobiliários”. A ideia é comprar um imóvel na zona da capital onde possa passar umas temporadas. “Os meus filhos já estão criados e Lisboa é uma cidade de que gosto muito – já lá estive várias vezes e sinto-me em casa. Então quero passar lá quatro meses, venho para cá passar outros três, ir ficando cá e lá”, conta.

A lei portuguesa prevê que, mediante certas condições, cidadãos estrangeiros que sejam filhos e netos de portugueses possam adquirir a nacionalidade portuguesa. “Portugal é um país que adoro, é muito agradável e seguro.”

Segurança conta

No Brasil, a segurança é um tema recorrente e que tem levado muitos a ponderar sair. Francine Frota nunca esteve em Portugal, mas não esconde que o que a atrai em Portugal é, “a par da qualidade de vida, a segurança”. E por isso equaciona a possibilidade de mandar a filha para estudar numa universidade aqui.

“Sabemos que há muitas outras dificuldades, como o Brasil também tem, mas realmente a violência aqui atingiu um ponto em que a gente pensa em como ter qualidade de vida. Até o ir e vir da faculdade aqui está complicado”, conta. A filha Lara acompanhou a mãe na busca de informação sobre faculdades portuguesas. Sabe que quer tirar Relações Internacionais e acredita que um curso em Portugal pode abrir-lhe mais portas. “Acho que lá tenho mais acesso a tudo.”

Nuno Bernardes fez a viagem inversa há cerca de uma década. Foi para o Brasil levado por projetos académicos e profissionais. A vida profissional cruzou-se com a pessoal e foi ficando pelo Rio de Janeiro. Há seis anos, arrancou com a Casa das Natas, uma empresa que vende pastéis de nata para vários pontos do Brasil e que tem já cinco lojas. “Vou ficando, apesar de a economia não estar essa coisa toda… por isso é que temos muitos brasileiros a ir para Portugal. Muitos procuram segurança. Tal como a leva de portugueses que veio há cerca de seis anos e entretanto voltou é diferente da que veio há 60, esta que vai é um pouco diferente da que foi há 12 anos”, diz.

O PIB do Brasil cresceu 1,1% no ano passado (o mesmo que em 2017), depois de em 2015 e 2016 a economia ter estado em recessão. “Muitas pessoas de classe média-alta vão agora para lá à procura de segurança, estabilidade – para estudar ou investir – e há ainda os reformados aliciados por todos os incentivos que o governo português dá. Ou seja, é outro tipo de imigração. Existem também alguns que vão à procura de trabalho”, mas não são tantos.

Turismo à boleia da língua

Outro fator que pesa a nosso favor é a língua e Ana Mendes Godinho defende que o português deve ser sinónimo de cooperação no turismo. “Acredito imenso no turismo como instrumento de cooperação nos países que falam português. Se olharmos para qualquer um dos países da CPLP, o turismo está claramente no seu mapa de desenvolvimento e de futuro. Portugal é também aqui um case study.”

A troca de experiências entre os países pode gerar doces frutos para todos. Há dias, estiveram em Portugal elementos do turismo da comunidade de países de língua portuguesa para conhecer o primeiro hotel a ser inaugurado no âmbito do Revive, programa que visa dar uma segunda vida a património cultural e histórico devoluto através da concessão a privados. O objetivo é alargar o Revive Internacional a toda a rede da CPLP.

“Neste momento, já está a decorrer em Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe. E o Brasil já quer desenvolver projetos connosco, portanto também estamos aqui nessa perspetiva do projeto Revive e da cooperação internacional, assumindo também que o património que fala português é um instrumento de política que nos aproxima”, sublinha a responsável.

* A jornalista viajou a convite do Turismo de Portugal

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