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Portugal perdeu 280 multibancos por ano

D.R.
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Número de ATM ativos caiu a pique desde o ano da troika, acompanhando o encerramento de 1620 balcões entre 2011 e 2016.

Portugal tem hoje menos 1955 caixas multibanco (ATM) do que em 2011. O corte efetuado pelos bancos equivale ao desaparecimento de 280 ATM por ano desde a chegada da troika até ao final do primeiro semestre de 2017. Este movimento coincide quase inteiramente com o fecho de 1620 balcões entre 2011 e meados de 2016.

Os consumidores têm ao seu dispor 11 956 caixas multibanco, segundo dados da SIBS relativos ao final do primeiro semestre deste ano. Eram 13 911 em 2011, ano em que o número de balcões ascendia a 6306, mais 1620 do que em meados do ano passado, segundo dados da Associação Portuguesa de Bancos.

ATM-net

O consumidor ficou prejudicado com este corte nos serviços de pagamentos e levantamentos? “A Banca entendeu há anos que valia a pena ter mais máquinas e menos meios humanos, passando a ideia de que as pessoas precisariam cada vez menos de ir aos balcões. Depois de ter aculturado a população neste sentido e de ter poupado milhões de euros, retira agora as máquinas, prejudicando os consumidores”, explica Rui Riso, presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas.

Júlio Mourão, presidente da Associação Portuguesa de Usuários de Serviços Bancários (Apusbanc), desdramatiza a situação, embora reconheça o inconveniente para alguns grupos de consumidores. “Há que distinguir os grandes centros populacionais do resto do país. Na província, admito que o fecho de ATM possa ter desorientado algumas pessoas. A verdade é que há dez ou 15 anos, havia um excesso de balcões e de caixas. Os bancos estão a corrigir essa situação, que não sendo confortável também não será preocupante. Admito que os mais idosos sejam um grupo da população que sente mais este efeito da diminuição do número de caixas multibanco”.

Levantamentos e pagamentos

A SIBS sublinha que continua a ser a rede nacional com maior número de terminais per capita, apesar de se verificar uma redução de 3% no total de caixas, quando se comparam os dados do segundo trimestre de 2017 face ao período homólogo de 2016 (ver infografia).

“Mais importante ainda que o número de terminais disponíveis, são os números de utilização, que têm vindo a crescer, tendo-se registado um crescimento das operações em caixas automáticas de 2% e um aumento das compras em terminais (lojas) de 11,7%, segundo dados do 2.º trimestre de 2017, face ao período homólogo de 2016”, refere a empresa.

Consumidores gastaram mais mil milhões de euros em compras

Os portugueses estão a fazer mais compras, pelo menos, das que são pagas com cartões, tendo gastado mais mil milhões de euros no segundo trimestre, do que em igual intervalo do ano passado. O valor das compras feitas totalizou 9,7 mil milhões de euros, contra cerca de 8,6 mil milhões nos meses homólogos de 2016, subindo assim 12,6%, segundo a SIBS. Aumentou o valor e, igualmente, o número de compras, que cresceu 11,7% para 253 milhões.

Mas, ao contrário do fenómeno de recuo das caixas Multibanco e dos balões bancários, o número de terminais de pagamento automático nas lojas expandiu-se: são agora mais 20 mil do que no segundo trimestre do ano anterior, atingindo os 311 mil equipamentos.

Euronet chegou ao país em 2015 e já tem 300 caixas nas cidades

Quem passeia pelo centro das grandes cidades portuguesas já terá visto caixas multibanco com uma imagem diferente da habitual. Não pertencem à SIBS. São ATM da rede Euronet Worldwide, empresa de origem húngara. Apesar de só ter chegado a Portugal em 2015, já tem 300 multibancos a operar. “São caixas que normalmente estão situadas em locais estratégicos por onde circulam turistas estrangeiros, devendo a Euronet pagar altas rendas por isso mesmo”, refere Rui Riso. Os portugueses também podem usá-las, até porque o acesso às mesmas não acarreta o pagamento de quaisquer comissões. “A discussão sobre a eventual cobrança de comissões nos levantamentos tem-se acentuado precisamente com o desaparecimento de cada vez mais caixas multibanco”, alerta o presidente do sindicato bancário.

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