Transporte Marítimo

Portugal quer ser “estação de serviço” para navios a gás natural

Fotografia: Margarida Ramos/ Global Imagens
Fotografia: Margarida Ramos/ Global Imagens

"Se queremos ter em Portugal todo o crescimento do setor dos cruzeiros, temos de ser capazes de abastecer esses navios", considera a ministra do Mar.

Portugal quer afirmar-se como uma “estação de serviço atlântica” a abastecer navios de grande porte a gás natural, afirmou hoje a ministra do Mar, uma das medidas que a indústria naval e portuária precisa para poluir menos.

À margem da abertura do encontro internacional Oceans Meeting, que junta em Lisboa centenas de especialistas em ambiente e em transporte naval, Ana Paula Vitorino afirmou que a maior parte das novas encomendas de navios de cruzeiro são alimentadas a gás natural liquefeito.

“Se queremos ter em Portugal todo o crescimento do setor dos cruzeiros, temos de ser capazes de abastecer esses navios. Ainda que o transporte marítimo seja já hoje o menos impactante do ponto de vista ambiental, ainda queremos que seja menos. Com o estado da arte hoje, [o gás natural liquefeito] é o melhor que conseguimos para combustível dos navios de mercadoria e cruzeiros”, afirmou.

Quanto aos portos, o seu papel na economia azul, reduzindo poluição e contribuindo para um uso melhor dos recursos marinhos, passará por promoverem de forma “robusta” centros de investigação ligados ao mar, com inovações e produtos que melhorem a sua forma de negócio e o ambiente.

O diretor-geral para o mar e Pescas da Comissão Europeia, João Aguiar Machado, indicou que a necessidade de reduzir emissões poluentes no tráfego marítimo é imperiosa, estimando-se que, a continuar no padrão atual, aumentarão “entre 50 a 200% até 2050”.

João Aguiar Machado frisou que na Europa, o mar dá emprego a 5,4 milhões de pessoas e gera anualmente 500.000 milhões de euros de valor acrescentado.

Uma das indústrias, a pesca, ajuda a produzir lixo em quantidades industriais, referiu, apontando que metade da mancha de plástico que polui o Oceano Pacífico é restos de redes de pesca, e que, de acordo com a legislação proposta na União Europeia, os armadores passarão a ter apoios para as reciclar devidamente.

O enviado das Nações Unidas para os oceanos Peter Thomson salientou que “para falar de alterações climáticas tem que se falar de alterações no oceano”, afirmando que setores como a construção naval e todo o tipo de “infraestruturas costeiras”, começando pelos portos, terão que se adaptar a realidades como a subida dos níveis das águas, que são “uma certeza absoluta”.

Thomson indicou que para qualquer jovem, a construção naval e as infraestruturas portuárias são hoje “oportunidades de carreira”.

Numas breves palavras de boas-vindas aos participantes na conferência, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, salientou que os oceanos “unem mais do que separam” os vários povos, quer estratégica, quer política, quer economicamente.

“Esta é uma causa que, ou enfrentamos juntos, ou nunca será enfrentada com sucesso”, defendeu, considerando que o diálogo e a convergência entre os vários países terá de se impor a “egocentrismos e visões de curto prazo”.

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