Portugal sai da recessão técnica mas com dificuldades pela frente

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Nos números que vai divulgar amanhã, o INE (Instituto Nacional
de Estatística) deverá anunciar uma saída de Portugal da recessão
dois anos e meio (dez trimestres consecutivos) depois de a economia
ter começado a cair a pique. As várias previsões avançadas por
bancos e centros de investigação universitários apontam para uma
subida entre 0,2% e 0,6% do PIB no segundo trimestre, motivada pela
boa prestação das exportações e pela melhoria, ainda que tímida,
do consumo interno, embora ainda em terreno negativo.

A confirmar-se a inversão no segundo trimestre, o valor do PIB
este ano pode ser melhor do que o esperado pelo Governo e pela troika
para 2013. Ainda assim, um valor insuficiente para levar o PIB para
terreno positivo no total do ano.

Mas como se explica o crescimento inesperado da economia de abril
a junho? Simples: as exportações dão o maior contributo. O
comércio internacional aumentou 3% no acumulado dos primeiros seis
meses deste ano, comparativamente a igual período do ano passado. Se
a contabilidade for realizada trimestralmente, a variação homóloga
é duas vezes superior: 6,3%. Para os números entra a contribuição
do turismo, que é calculado como exportação.

Comparado com os apenas 0,8% de subida das exportações previstas
no Orçamento Retificativo, é um salto substancial. Aparentemente, o
motor externo está outra vez a funcionar.

Também o desemprego cedeu em junho pela primeira vez em dois
anos. E apesar de estarem 881 mil portugueses sem emprego, são menos
66,2 mil (7%) do que nos primeiros três meses do ano. Mais uma vez o
verão (efeito sazonal) e o turismo voltaram a dar um contributo
essencial.

Mas há mais. Também em junho, consumo privado e atividade
económica (indicador coincidente mensal para a evolução homóloga
do Banco de Portugal), que acumulam dois anos consecutivos de quedas
mensais, melhoraram, apesar de se manterem negativos. E até as
vendas de automóveis, que tiveram em 2012 o pior ano dos últimos
27, voltaram ao crescimento no sexto mês do ano – mais 17,1%.

“Pode não ser suficiente para inverter a tendência de queda da
economia durante o ano, mas é um bom sinal”, disse o economista
Miguel Beleza ao Dinheiro Vivo. O antigo ministro de Cavaco Silva
lamenta que o segundo trimestre reflita um “crescimento pontual da
economia que não será suficiente para impulsionar o crescimento no
final do ano”, mas assume que começar a crescer, ainda que de
forma tímida no segundo trimestre de 2013, “dá mais força à
ideia de que em 2014 poderemos começar realmente a crescer e a
diminuir o desemprego jovem” que é “o maior problema do País”.

Também António Nogueira Leite rejeita que se possa falar no fim
da crise. “É melhor ter um resultado positivo no trimestre do que
ver a economia a continuar a cair consecutivamente, mas não tenho
qualquer dado que permita falar em fim da recessão.” Como refere,
“ainda temos um ajustamento duro pela frente, que dificilmente será
acompanhado de crescimento”. O economista entende que o Governo não
pode utilizar este trunfo para negociar com a troika. “Os técnicos
vão ver esta evolução como um resultado do processo de ajustamento
e do caminho prosseguido e não como uma forma de aliviar as metas
traçadas”, afirma.

Já o economista José Reis sublinha que “isto não passa de um
jogo gratuito de números, mas no fundo o que temos é um conjunto
mais vasto de indicadores que não se comportam da mesma maneira do
que o PIB. As exportações estão a evoluir bem, mas falta criação
de emprego, compromisso salarial, estabilização laboral, o olhar de
confiança sobre o futuro próximo”.

Previsões

Pela primeira vez em mais de dois anos, a economia nacional parece
dar sinais de alívio. As previsões apontam para um segundo
trimestre positivo, a crescer entre 0,2% e 0,6%.

Universidade Católica A estimativa mais otimista é a do gabinete de estudos da
Universidade Católica, que calcula que o PIB terá crescido 0,6% de
abril a junho de 2013, pondo fim a dez trimestres consecutivos de
contração económica.

Montepio O Montepio apresentou este mês as suas previsões para o
desempenho da economia de abril a junho e antecipa um crescimento de
0,4%. A instituição considera que o consumo privado e o sector
industrial estão na origem da melhoria.

Crédit Suisse Num relatório divulgado na semana passada, o banco suíço
antecipa uma viragem da economia no euro e dá Portugal e Grécia
como exemplos de recuperação. Para Portugal, a previsão aponta
para um crescimento em cadeia de 0,3%.

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