Portugal só está mais produtivo devido à destruição de emprego

Passos Coelho e Paulo Portas
Passos Coelho e Paulo Portas

Portugal só está mais produtivo devido à “grande” destruição de emprego que tem vindo a assolar o país nos últimos anos, indica a Moody’s num estudo sobre as economias periféricas da zona euro.

No documento, divulgado ontem à noite, a agência de rating diz que a competitividade aumentou em Chipre, Itália, Portugal e Espanha, o que é “amplamente explicado pelas melhorias na produtividade do trabalho, já que as compensações laborais [salários] nesses países não caíram desde o pico nos custos unitários do trabalho”.

Em Portugal e Espanha, “o ritmo de aumento das compensações tem estado relativamente estável”. Por isso, concluem os economistas da Moody’s, “as melhorias na produtividade de Espanha e Portugal foram largamente ditadas pelas fortes quedas no emprego”.

No grupo de seis países em estudo (Irlanda, Grécia, Espanha, Portugal, Chipre e Itália), a economia nacional é a terceira melhor, com um crescimento de 8,3% na produtividade aparente do trabalho (PIB a dividir pelo número de empregados) entre o auge recente e o primeiro trimestre deste ano. Espanha lidera com uma subida de 9,5%, Irlanda surge logo a seguir com 9,1%.

O problema, ilustra a agência, é que Portugal não está a ser realmente mais produtivo, até porque a recessão acumulada é a terceira mais acentuada da periferia. É o facto da destruição de emprego ser a segunda pior deste grupo de países (12% desde o ponto mais elevado) que explica a melhoria no indicador e não a existência de um fenómeno de revitalização da economia. A segunda destruição de emprego mais pesada ocorreu na Grécia, com quase 19%.

No mesmo estudo, a Moody’s estima que este ano Portugal registe já um excedente da balança corrente com o exterior na Irlanda, Portugal e Espanha e elogia os países por “terem feito progressos significativos para resolver os seus desequilíbrios e as perdas associadas na competitividade que estavam entre as causas para os seus altos e insustentáveis fardos de dívida pública”.

No entanto, como a melhoria na produtividade é apenas aparente, as melhorias na posição externa – algo que o Governo de Passos Coelho gosta de repetir e enfatizar – “não são por si uma condição suficiente para o crescimento sustentável”.

Assim, a Moody’s mantém o rating de Portugal no lixo, perspetiva uma nova redução da nota da dívida, mantendo o rating com outlook negativo e avisa que não espera uma inversão a sério da situação económica da periferia “antes de 2016-2017”.

O impasse ou lentidão nas reformas institucionais da zona euro (união bancária, resolução de crises, fundo europeu) também contribui para esta avaliação negativa, diz a agência.

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