Portugal subiu 10 posições e está em 19º no ranking de sustentabilidade energética

Relatório World Energy Trilema 2020 mostra que o país subiu dez posições num ano e está entre os melhores classificados na categoria de equidade energética, com 92,2 pontos em 100 possíveis

Portugal ocupa a 19ª posição no ranking mundial de sustentabilidade energética, subindo dez posições face a 2019. Os dados são do World Energy Trilema Index 2020, publicado pelo Conselho Mundial de Energia e pela consultora Oliver Wyman, relatório que classifica 130 países em função dos progressos realizados a caminho da sustentabilidade energética São três as dimensões analisadas - segurança energética, equidade energética e sustentabilidade ambiental - e Portugal obteve uma das pontuações mais elevadas ao nível da equidade, com 92,2 pontos. No índice Trilema (que engloba as três vertentes), a pontuação nacional é de 76,8 em 100 pontos possíveis.

Os primeiros dez lugares do ranking geral voltam a ser ocupados por países da OCDE, "focados em impulsionar a sustentabilidade e acessibilidade do setor energético", refere o estudo, que destaca que, apenas oito países conseguem, este ano, alcançar um balanço de classificação AAA, contra a dezena do ano passado. Entre eles, Suíça, Dinamarca, Áustria, França e Reino Unido, que mantêm a sua posição na primeira parte da tabela. Portugal tem uma classificação BBA.

"A crise pandémica está a ter um impacto profundo no ritmo e na direção da transição energética global. A criação de um ambiente mais sustentável contribuiu como uma das alavancas-chave na retoma económica, impulsionada pelas expectativas da sociedade, da tecnologia e das preferências dos consumidores", pode ler-se no comunicado do World Energy Trilema Index 2020. Que destaca qie, globalmente, a taxa de melhoria no desempenho geral continua a aumentar, com "metade dos países a melhorarem os seus resultados gerais desde 2015". Os três que mais melhoraram foram o Camboja, Myanmar e Quénia.

O World Energy Trilema Index 2020 volta, este ano, a ser liderado pela Suíça, Suécia e Dinamarca, países que revelam progressos ao nível da sustentabilidade e da segurança energética, refere o estudo, sublinhando que "os investimentos feitos ao longo do tempo em energia eólica e solar deram lugar a uma redução em paralelo de emissões e a uma diversificação dos seus sistemas energéticos". Como referido, Portugal ocupa a 19ª posição, mas tem 21 países à sua frente, já que há dois classificados a ocupar, em simultâneo, a quarta e a quinta posição: Finlândia e Áustria e França e Reino Unido, respetivamente. Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia e Uruguai quebram o domínio europeu do ranking e ultrapassam Portugal.

"Estamos perante um ano turbulento para as sociedades e para as economias. Ferramentas como o World Energy Trilema Index são mais importantes do que nunca, já que os países, as empresas e os consumidores começam a recuperar. O índice permite às nações aprenderem umas com as outras, sobre o que funciona e o que não funciona entre a sociedade, o planeta e a prosperidade, e a gestão dos desafios relacionados com a segurança energética, a acessibilidade e a equidade da energia e a sustentabilidade ambiental", defende a secretária-geral do Conselho Mundial de Energia, Angela Wilkinson.

"O índice Trilema 2020 demonstra que os países que progrediram mais significativamente estão a passar por uma rápida transição energética. Embora seja provável que o impacto da pandemia não seja visível até ao próximo ano, uma coisa é certa: os países com melhor desempenho atingem os seus objetivos energéticos ao equilibrar a política, a ação corporativa, a utilização de recursos nacionais e as alterações de comportamento individual com as preocupações ambientais. Estas tendências, quer em conjunto como a nível nacional e regional, podem marcar as decisões dos responsáveis políticos e empresariais, na hora de moldar o futuro da energia", refere, por seu turno, o sócio de Energia e Transportes da Oliver Wyman, Alejandro Gaffner.

É ao nível da segurança energética que Portugal se porta pior neste ranking, com 63,7 pontos que relega o país para a 33ª posição neste domínio. A segurança energética refere-se à capacidade dos países em satisfazerem a procura atual e futura de energia, e o top 10 é ocupado por países com reservas importantes de hidrocarbonetos, juntamente com países centrados na diversificação e descarbonização dos seus sistemas energéticos, principalmente através de investimentos em energia solar e eólica, com o Canadá, Finlândia e Roménia a encabeçar a lista. "Ainda que a dotação de recursos naturais apoie fortemente o bom desempenho nesta dimensão, deve ser acompanhada da diversificação de fontes energéticas a fim de obter uma pontuação equilibrada", explica o relatório.

Já na equidade energética, que se refere à capacidade de garantir o acesso a uma energia economicamente acessível e segura, "fator-chave da prosperidade económica", Portugal conseguiu 92,2 pontos, posicionando o país na 34ª posição, mas "muito próximo" de países com pontuações máximas no Índice Trilema (o combinados das tr~es dimensões) como a Suécia (2) ou Finlândia (4), "graças à plena garantia de acesso à energia".

A equidade energética foi a dimensão mais melhorias registou desde o início do milénio. Os primeiros dez lugares, liderados pelo Luxemburgo, Catar e Koweit, "caracterizam -se por serem nações pequenas com um PIB elevado, excelentes interligações com as redes energéticas dos países vizinhos e preços de energia baixos graças a subvenções e/ou o acesso a importantes recursos energéticos facilmente extraíveis".

Por fim, a sustentabilidade ambiental, que representa o caminho para a descarbonização, é uma tabela liderada pela Suíça, Suécia e Noruega, países que dispõem de um "sistema energético diversificado, suportado por decisões políticas com vista à redução de emissões, juntamente com a implementação de medidas de eficiência energética". Portugal detém 78,1 pontos em sustentabilidade, o que o coloca no 22º lugar da classificação, fruto do compromisso do país em atingir a neutralidade climática em 2050, de acordo com o Plano Estratégico de Energia e Clima que o Governo apresentou em 2019.

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