OPA EDP

“Portugal tem vindo a falhar na diversificação do investimento”

A EDP foi a campeã dos lucros trimestrais

O analista Bernardo Pires de Lima defende que o país tem cedido à tentação de ser “o melhor amigo dos interesses chineses”.

Há excessiva concentração no investimento estrangeiro em setores estratégicos do país, e as práticas de avaliação de idoneidade desses investimentos pecam por amadorismo, defende Bernardo Pires de Lima.

O analista de risco político e de relações internacionais alertou ontem na conferência Triângulo Estratégico, organizada pelo IPDAL (ver texto ao lado), para a “falta de critério” de exigência na análise do investimento direto externo pelos diferentes governos desde 2011, ano do início da crise de dívida ao qual se seguiram os processos de privatização da REN e da EDP.
“Portugal tem vindo a falhar no critério de diversificação do investimento estrangeiro”, disse ao DN/Dinheiro Vivo.

Num momento em que o país e os mercados discutem a intenção da China Three Gorges de assumir o controlo da EDP, o analista defende que Portugal precisa de “trabalhar melhor as fontes de investimento” e garantir a “credibilidade dos investidores”.

“Por questões de vulnerabilidade conjuntural que a bancarrota trouxe, por questões de opção política, por questões de rapidez de captação de investimento, o que é facto é que temos uma concentração sobretudo em setores estratégicos”, afirmou.

Para o analista, Portugal cedeu “a uma certa tentação de ser, talvez, o melhor amigo dos interesses chineses na Europa”.

Bernardo Pires de Lima defende também maior exigência no processos de avaliação de compliance do investimento direto externo.

A recente desistência da Partex em negociar com a CEFC China Energy, envolvida numa investigação por alegados crimes económicos, “foi um caso em que se percebeu a tempo da falta de credibilidade do investidor depois do processo de compliance ter passado com sucesso”, afirmou.

“O processo de averiguação das competências, da credibilidade do investidor, tem de ser muito mais exigente. Muitas vezes delegamos em instituições fazer esse compliance, que depois vem a verificar-se que foi muito amador.”

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