Portugal vende dívida a dez anos. Procura supera os 4 mil milhões

Moody's e S&P falaram de Portugal
Moody's e S&P falaram de Portugal

A emissão de dívida a 10 anos de Portugal já arrancou. O livro de ordens já foi aberto e o apetite investidor já superou a fasquia dos 4 mil milhões de euros, quando o objetivo inicial era o de colocar apenas 3 mil milhões.

A notícia é avançada pela Reuters, segundo a qual as indicações preliminares do preço da operação foram definidas entre os 4 e os 4,05% mais as taxas de mercado (midswaps). Tendo em conta que as estas taxas a 10 anos estão nos 1,5%, isto significa que Portugal poderá pagar uma taxa de juro na casa dos 5,6%.

Recorde-se que o objetivo inicial era o de colocar, no mínimo, 3 mil milhões de euros, montante que não será aumentado. No entanto, o apetite investidor por dívida portuguesa é elevado e, segundo a agência, a procura superou os 4 mil milhões de euros assim que os bancos responsáveis pela colocação fixaram o preço inicial da operação numa taxa de 4,05% mais as ‘midswaps’.

A Reuters avança ainda que o livro de ordens no mercado europeu deverá ficar fechado muito em breve devido à forte procura inicial registada na emissão.

“A emissão de Portugal é importante porque representa mais um passo em direção à saída da crise”, afirmou Luca Cazzulani. O estratega de dívida do Unicredit, citado pela Bloomberg, sublinha que “face ao ambiente atual do mercado, vai verificar-se uma forte procura. Os investidores estão desejosos por investimentos que tenham altas taxas de rendibilidade e, quando se olha para a curva a 10 anos, Portugal está a oferecer 5,5%, pelo que penso que a procura será forte”.

O sindicato bancário responsável pela colocação desta operação é composto pelo CaixaBI, Citigroup, Crédit Agricole, Goldman, HSBC e Société Générale. A emissão terá maturidade a 15 de Fevereiro de 2024.

Fonte oficial das Finanças confirmou ontem ao Dinheiro Vivo as informações ontem avançadas pela Bloomberg: “Confirmamos o que aparece no terminal da Bloomberg. Ou seja, que o IGCP [a agência da dívida pública] mandatou as instituições financeiras que compõem o sindicato bancário para uma emissão de dívida a 10 anos, sujeita as condições de mercado”.

Esta emissão de dívida a 10 anos marca o regresso de Portugal aos mercados e é torna o país elegível para o novo programa de compra de dívida soberana do Banco Central Europeu (BCE), uma fonte de financiamento para o período pós-troika.

A última vez que Portugal emitiu dívida a 10 anos no mercado primário foi em Janeiro de 2011, a uma taxa média ponderada de 6,716%.

Já no caso da Irlanda, o tigre celta regressou aos mercados no passado dia 13 de março ao arrecadar 5 mil milhões de euros com custos de financiamento de 4,15%, numa emissão em que os investidores deram ordens de compra que superaram a barreira dos 12 mil milhões de euros.

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