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Português que investiu um milhão no Facebook aposta agora no BCP

Foi a primeira grande valorização
Foi a primeira grande valorização

Um mês depois de se ter estreado no mercado de capitais, os investidores ainda não fizeram “like” ao Facebook. As ações acumulam um saldo negativo de 23%, o equivalente a uma desvalorização de quase 27 mil milhões de dólares face ao preço do seu IPO (Initial Public Offering), numa entrada feita com o pé esquerdo, devido ao atraso de cerca de meia hora registado nos primeiros segundos de negociação. Entre os milhões de investidores espalhados pelo mundo existe um português que desembolsou um milhão de euros com a compra de 34 milhões de títulos da rede social criada por Mark Zuckerberg.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Rodrigo Oliveira revela estar surpreendido com a prestação negativa do Facebook em bolsa, mas nega estar arrependido com o investimento que fez. Apesar de admitir que já chegou a pensar em vender as ações, o gerente imobiliário de 33 anos, que nasceu no Porto e vive atualmente em Aveiro, acredita de tal forma na recuperação dos títulos que decidiu reforçar na rede social.

O cliente da GoBulling prefere esperar até julho para definir qual será o futuro desta aposta mas revela que tem um novo investimento na sua carteira: o BCP.

Que comentário faz ao desempenho do Facebook no primeiro mês de negociação?Surpreendente. Não estava à espera de um movimento tão negativo. A pressão dos “market makers” também ajudou a este desempenho negativo que se regista desde a estreia em bolsa e provocou um “panic sell”. É um grande exagero tendo em conta os outros IPO, como os do LinkedIn ou do Zynga.

Está arrependido de ter investido 1 milhão de euros em ações do Facebook?Não, até porque acho que vai dar dinheiro. A questão determinante foi o “timing”. A pressão sobre as ações poderá continuar no curto prazo, mas penso que tudo vai depender da apresentação dos resultados semestrais, que serão os primeiros desde que a empresa entrou em bolsa.

Já vendeu alguma das 34 mil ações que comprou a 41 dólares?Não, pelo contrário, reforcei. Aproveitei a queda do preço para comprar, na altura em que estava a cotar no patamar de 25 a 26 dólares, e agora tenho cerca de 38 mil ações do Facebook. Deste modo, consegui baixar a média do preço, que está agora nos 39 dólares, ou seja perto do valor do IPO.

Face à queda desde a estreia tem esperança que o título recupere?Sim, tenho esperança que as ações do Facebook recuperem. Não espero grandes movimentos nos próximos tempos e penso que a fasquia dos 32 dólares será determinante, porque se for superada acho que, a partir daí, a tendência será ascendente. Tudo vai depender da reação da economia aos desenvolvimentos da crise da dívida, nomeadamente as eleições na Grécia e o resgate à banca espanhola, e da reação dos investidores aos resultados semestrais da empresa.

Mas tenciona vender?Já pensei assumir as perdas e vender, e compensaria com ganhos de outros investimentos. Mas acredito que pode dar dinheiro e ainda passou muito pouco tempo desde que entrou em bolsa. Pelo menos até julho, altura dos resultados semestrais, não irei vender. Se o fizer poderá ser apenas uma parte, entre 15% a 20% do que tenho em carteira.

Ficou incomodado com os problemas registados no primeiro dia de negociação?Pode ter influenciado o sentimento negativo que se instalou sobre as ações, mas não me afetou porque só entrei depois e não tinha ordens relacionadas de compra e venda. Entrei no primeiro dia, através de produtos derivados (CFD) negociados pela GoBulling, mas não tinha ordem para comprar ou vender a um determinado preço logo no primeiro segundo de negociação.

Reclamou ou vai reclamar?Como não fui afetado não irei reclamar.

Tem investimentos em empresas cotadas nacionais ou outros investimentos?Sim, tenho uma posição interessante no BCP, cerca do dobro das 38 mil ações que detenho do Facebook, e com um preço médio de 11 cêntimos. Aproveitei as quedas recentes para entrar e irei vender quando as ações negociarem no patamar dos 15 a 16 cêntimos. Penso que os títulos podem recuperar com a reação dos mercados quanto à participação acionista no aumento de capital do banco, com a divulgação de bons resultados e com o reembolso do apoio que vai receber do Estado até 2016.

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