Portugueses compram mais roupa e calçado de marcas estrangeiras

Baixo nível de vida e elevado preço dos artigos são as principais razões apontadas para o menor volume de compras “made in Portugal”

Os portugueses, em geral, têm orgulho no aumento do reconhecimento internacional dos setores do calçado, do têxtil e do vestuário português, bem como a consciência de privilegiar o consumo de produtos nacionais. No entanto, "ainda são poucos os que realmente o fazem". É esta a principal conclusão do recente estudo do IPAM – The Marketing School.

Apesar da preferência pelo calçado e vestuário com etiqueta nacional, e de 90% dos inquiridos concordar com a ideia de que comprar nacional é também ajudar a economia portuguesa, "a explicação para a reduzida compra efetiva de produtos portugueses deve-se, em grande parte, e na opinião de 60% dos inquiridos, ao elevado preço dos artigos", revelam as investigadoras Paula Arriscado e Márcia Monteiro do IPAM.

Destacam ainda que esta escolha "está diretamente associada ao nível de vida dos portugueses, em que dois em cada três inquiridos assume não ter um bom nível de vida e mais de metade (51,9%) considera que os portugueses estão a caminhar para a pobreza".

O estudo teve como base a realização de um inquérito junto de 500 consumidores, em que os resultados apurados mostram que para apenas 1,7% dos inquiridos o vestuário português representa a totalidade das compras de vestuário.

No setor do calçado – apesar de se registar uma ligeira melhoria no comportamento dos consumidores, com 14,4% a comprar, exclusivamente, marcas portuguesas – verifica-se que um em cada quatro consumidores não tem no seu cesto de compras um único par português.

A investigação revela ainda que quanto maior é a idade dos inquiridos, maior é a valorização e vontade de compra de vestuário e calçado nacionais, o que denota uma postura etnocêntrica em relação aos produtos “made in Portugal”.

Já nos mais novos, verifica-se uma atitude internacionalista, impulsionada por uma vivência social inserida numa sociedade globalizada, onde os jovens se sentem mais motivados a consumir marcas globais.

Em todo o caso, metade dos inquiridos (50,1%) admite ter, pelo menos, uma peça de vestuário português no cesto de compras e 39,2% tem, pelo menos, um par de sapatos com etiqueta nacional.

"Os portugueses reconhecem a qualidade e a durabilidade dos produtos nacionais, mas continuam a consumir, maioritariamente, produtos estrangeiros, em que 29,2% dos inquiridos assume que é contra a imposição de taxas mais altas aos produtos importados e 53,8% por cento discorda que os produtos estrangeiros devessem ser proibidos no mercado português", adiantam as investigadoras.

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