Grande Consumo

Portugueses consomem cada vez mais fora de casa

Fotografia: Vítor Rios / Global Imagens
Fotografia: Vítor Rios / Global Imagens

Compras de supermercado caíram 2,7% em volume em 2017

O mercado de bens de grande consumo cresceu, o ano passado, 0,7% em valor, mas caiu 2,7% em volume, o que demonstra que “os portugueses estão a privilegiar, cada vez mais, o consumo fora de casa”. A atestar esta conclusão da Centromarca está a performance do segmento da alimentação em casa, “o setor mais afetado no último ano”, com um decréscimo de 3% em volume.

Os dados são da 6ª edição do ‘Marcas + Consumidores’, uma parceria da Centromarca com a Kantar Worldpanel, e que mostram que, em 2017, os portugueses foram mais vezes às compras – um crescimento de 0,4% na frequência -, mas compraram menos coisas: a quebra no volume por ato é de 3,5%. O que não significa que se esteja a gastar menos. Pelo contrário, o preço médio das compras das famílias aumentou 3,4%. Uma evolução que resulta de um “efeito conjugado da inflação, apesar de pouco significativa, ainda, com as opções de compra de cada um”, diz Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca. E explica: “A inflação existe mas é, ainda, relativamente baixa – 0,7% nos produtos alimentares, segundo o INE -, o que se nota é que, com a maior disponibilidade de rendimentos, os portugueses estão a escolher produtos de gamas superiores e com preços mais elevados”.

Em termos etários, saiba que é nas faixas acima dos 50 anos, e especialmente nos seniores, que se nota o maior incremento no número de idas às compras: os consumidores dos 50 aos 64 anos são os que mais vezes vão aos super e hipermercados, com um peso de 38,1%, seguindo-se os seniores com mais de 65 anos e 24,1% nas ocasiões de compra. Mas comparativamente ao ano anterior, o maior crescimento dá-se nestes últimos que foram 2,6% mais vezes fazer o abastecimento da despensa, versus os 1,6% da faixa dos 50 aos 64 anos. Nas restantes, a tendência é para uma redução nas idas ao supermercado.

A quebra de consumo dá-se, essencialmente, a nível alimentar. Os dados do painel da Centromarca mostram que 60% da redução em volume é nas categorias de alimentação, com especial destaque para as bebidas açucaradas, afetadas pela nova taxa sugar free. “Nota-se que as famílias consomem com maior cuidado e que há, cada vez menos, sobras nos frigoríficos e nas despensas. Diria que há um afinar de quantidades”, diz Pedro Pimentel. Do lado do crescimento da procura, destaque para as categorias de conveniência – referem-se muito mais ao formato, em unidose ou embalagens familiares, por exemplo do que propriamente à tipologia de produto – e de prazer, os chamados produtos premium da grande distribuição, que tornam mais acessível as linhas de topo. A chamada gama Deluxe do Lidl ou Seleção do Continente, por exemplo.

O novo imposto sobre as bebidas açucaradas resultou numa quebra de 10,9% nas vendas, em volume, dos refrigerantes com gás e de 15,3% na gama de ice tea. Em contrapartida, as famílias estão a consumir mais águas e sumos 100% de fruta, gamas que crescem, respetivamente, 3,8% e 10,1%.

Em termos de tendências para 2018, a Centromar aponta a inovação como o “elemento-chave para contornar fatores externos ao consumidor”, como são as taxas e os impostos especiais sobre o consumo. “O Estado tende a penalizar alguns produtos em vez de escolher a via da educação e da promoção de estilos de vida saudável, esquecendo-se que o eventual problema não está no produto em si, mas na quantidade que é consumida”, diz Pedro Pimentel.

O consumo sénior, as compras online, a conveniência e a personalização são outras das tendências destacadas. Sobre o modo como as faixas etárias mais elevadas estão a mudar e como isso está a merecer “cada vez mais atenção” por parte das empresas, o diretor-geral da Centromarca explica: “É uma faixa de consumidores especial, fiel às marcas, mas a descobrir paulatinamente as marcas de distribuidor. Por esta razão, as marcas não podem descurar um tipo de target cada vez mais relevante aquando do desenvolvimento das suas estratégias de negócio e da comunicação dos seus serviços e produtos”, defende.

Sobre o online, a diretora comercial da Kantar Wordlpanel em Portugal, Blandine Meyer, aponta que se esperam mudanças com a entrada da Amazon em Portugal. “Com a chegada dos mais importantes operadores globais, não tenho dúvidas que o e-commerce tenderá a sofrer um rápido desenvolvimento, motivando o comércio offline a reinventar-se na tarefa de encontrar dinâmicas de integração com o próprio comércio online”, defende.

E as promoções? Embora os dados Kantar Worldpanel não contemplem este indicador, Pedro Pimentel destaca que, em 2017, os números das promoções rondaram os 45%. Ou seja, em cada 100 euros de compras, 45 euros foram de artigos com algum tipo de desconto. “No período de Natal subiram e tocaram quase a barreira dos 50%”, diz Pedro Pimentel, o que parece indicar que, em vez dos saldos pós-Natal se começa a assistir, cada vez mais, a uma época de saldos pré-natalícia. No entanto, o diretor-geral da Centromarca acredita que se começa a assistir a alguma “acalmia” nesta matéria. “Há muitas promoções, mas os descontos são menos profundos”, diz.

 

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Antonoaldo Neves EPA/GUILLAUME HORCAJUELO

TAP contrata mil tripulantes, traz 37 aviões novos e liga o Whatsapp (de graça)

Fotografia: João Girão/Global Imagens

Autoeuropa pode parar a qualquer momento por falta de espaço para os carros

gaspar fmi contas públicas défice dívida

FMI. Dívida mundial atinge máximo histórico de 162 biliões de euros

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Portugueses consomem cada vez mais fora de casa