Portugueses entre os menos confiantes na Europa. 77% cortou nos gastos

Portugal regista a maior descida no segundo trimestre face a cinco países europeus de referência: Espanha, França, Alemanha, Itália e Reino Unido.

Os números da pandemia aumentam no país e os nível de confiança dos portugueses cai. Os consumidores nacionais estão entre os menos confiantes da Europa no segundo trimestre, registando uma queda de 31 pontos face a igual período do ano passado, empurrando para valores abaixo da média europeia, segundo os dados do Global Consumer Confidence Survey, da Nielsen. Mais de 70% admite já estar a cortar nos gastos.

No segundo trimestre Portugal registava um nível de confiança de 63 pontos, "uma quebra acentuada face aos trimestres anteriores e caindo da “marca” dos 90 pontos atingida ao longo do último ano", destaca a Nielsen. "Apesar da tendência de quebra deste indicador entre os países mais próximos, em Portugal esta diminuição é especialmente notória", refere a empresa de estudos de mercado. No trimestre recua 31 pontos face a igual período do ano passado.

 

 

Se há um ano os portugueses apresentavam um índice de confiança de 94 pontos, os 63 pontos assinalados no segundo trimestre deste ano coloca a confiança dos consumidores nacionais abaixo da média europeia (74 pontos), apesar da descida de 13 pontos ocorrida. E a maior entre países como Espanha (que com 62 pontos recua 28 face ao ano passado), França (com 70 pontos, menos 11 do que há um ano), Reino Unido (84 pontos, um recuo de 10 pontos), Alemanha (87 pontos, uma descida de 16 pontos) ou Itália (54 pontos, uma diminuição de 15 pontos).

Emprego e saúde entre as principais preocupações

A Economia e a Saúde surgem neste trimestre como as principais preocupações para 47% e 46% dos portugueses, respetivamente, com 84% a afirmar que país se encontra em recessão económica (um valor próximo ao registado para a média europeia – 86%).

"O valor alcançado para o fator Saúde atinge neste período uma marca histórica, evidenciando o efeito e os novos receios associados à pandemia Covid-19", refere o estudo.

Numa terceira posição surge a preocupação com o emprego. "O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, que ocupava a 2ª posição no trimestre anterior, não alcança agora o pódio das preocupações dos portugueses", diz a Nielsen.

 

 

Já as perspetivas de emprego para os próximos 12 meses registam algum pessimismo: "mais de 80% dos inquiridos afirmam esperar tempos difíceis no que diz respeito a esta situação e cerca de 70% não anteveem perspetivas positivas para as suas finanças pessoais".

Face a este cenário não surpreende portanto que os portugueses admitam estar já a cortar nos gastos: 77% dos consumidores afirmam ter alterado no último ano os seus gastos para economizar nas despesas domésticas. Para isso, estão a cortar em roupa (54%), entretenimento fora de casa (54%), gás e eletricidade (43%), uso do automóvel (40%), pedido de refeições take-away (39%) e férias anuais (37%).

Compra de produtos de bens de consumo crescem 8,2%

Apesar dos tempos instáveis, em Portugal a compra de bens de grande consumo cresceu 8,2%, menos do que os 14% registados no primeiro trimestre.

"Mesmo em tempos de incerteza nos que diz respeito às finanças dos consumidores, as vendas dos Bens de Grande Consumo no segundo trimestre de 2020 são impactadas pelo efeito da pandemia covid-19, particularmente no que respeita ao fator volume, que regista crescimentos significativos", explica Ana Paula Barbosa, Retailer Vertical Director da Nielsen Portugal, citada em comunicado.

 

 

"Num período marcado pelo confinamento obrigatório e pelo encerramento de centros comerciais, restaurantes, e outros estabelecimentos comerciais, as lojas de retalho alimentar mantiveram-se em funcionamento e direcionaram, com sucesso, todos os seus esforços para apoiar e fornecer os seus consumidores numa altura tão atípica como a que vivemos. Nesta volta à normalidade, o mercado tem vindo a adaptar a sua oferta e terá de continuar a trabalhar no sentido de responder a todas as novas necessidades e limitações deste (novo) consumidor", refere a responsável da Nielsen Portugal.

Uma subida abaixo da média europeia que, no período registou um crescimento de 8,9%, e abaixo de mercados como Espanha (9,1%) e Alemanha (9%). Portugal posiciona-se assim no 14º lugar entre os 21 países analisados no estudo.

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