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Portugueses estão a gastar mais nas compras nos hiper e supermercados

Os portugueses estão a gastar mais nas compras do supermercado. As vendas do retalho alimentar atingiram, só nos primeiros dois meses deste ano, 1,192 mil milhões de euros, um aumento de 1%. Os números confirmam que o consumo está a dar sinais de recuperação - em janeiro, o aumento das vendas foi de apenas 0,4%; em fevereiro acelerou já para 1,7%. São boas notícias, depois de as vendas do retalho alimentar se terem mantidos negativas praticamente ao longo de todo o ano de 2014.

Os dados são do scantrends da Nielsen e mostram que o maior crescimento se deu no canal tradicional (4%). Para o diretor geral da Centromarca, este é o resultado da expansão das cadeias Amanhecer e Meu Super, lojas de proximidade lançadas pela Jerónimo Martins e Sonae, respetivamente. Mas Pedro Pimentel destaca, sobretudo, a subida de 2,3% e de 2,6% nas vendas dos hipers e dos grandes supermercados. Isto significa, garante, “o regresso aos grandes carrinhos [de compras] semanais ou quinzenais”. Apesar de alguma perda de terreno dos pequenos supermercados, cujas vendas foram inferiores em 1,1%, a verdade é que são estes os preferidos pelos portugueses para fazer as suas compras, com uma quota de mercado de 33,9%. Seguem-se os grandes supermercados, com 30,8% e os hipers com 26,8%. O comércio tradicional, em que se inserem as novas cadeias de proximidade, fica-se pelos 8,5%.

Os dados da Nielsen mostram ainda que as vendas estão a crescer em todas as grandes famílias de produtos, à exceção dos laticínios – caíram 2% face ao período homólogo. Pedro Pimentel explica que esta quebra poderá resultar do efeito de alguma “campanha mediática” contra estes produtos, em referências a sucessivos trabalhos dando conta de alegados efeitos nocivos à saúde do consumo, em adultos, de laticínios. Mesmo assim, os laticínios valem 19,8% dos gastos no retalho, quota só ultrapassada pela mercearia, que absorve quase 40% da fatura.

Higiene do lar, bebidas não alcoólicas e congelados são as áreas com aumentos de vendas mais significativos, respetivamente, de 5% nos artigos de higiene e de 3% nas duas outras categorias. A menor subida cabe às bebidas alcoólicas e aos artigos de mercearia, com apenas 1%.

E se é verdade que as marcas da distribuição, as chamadas “marcas brancas”, voltaram a crescer em Portugal – têm hoje 33,7% de quota, contra os 33,2% do ano passado -, a verdade, sublinha Pedro Pimentel, é que “são as marcas de fabricante que continuam a puxar pelo mercado”. O “o esforço promocional, embora em menor profundidade, continua a influenciar as opções de compra”, defende.

Um sinal da “bipolaridade” da economia nacional, diz Carlos Martins, professor universitário e especialista em consumo, dividida entre “uns poucos, com rendimentos muito elevados, e uma legião de deserdados, com poucos rendimentos, que irão continuar a aproveitar tudo o que sejam fenómenos promocionais, numa lógica low cost”.Uma situação “perigosa”, reconhece, mas que levará “muitos anos” a mudar.

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