Comércio

Portugueses gastam 500 milhões por ano para alimentar cães e gatos

gatos
Os portugueses têm optado, cada vez mais, por ter gatos como animal de estimação

Os pets são um negócio que envolve muitos milhões e não deixa de fora multinacionais como a Mars ou a Nestlé. Em Portugal, o setor está a crescer 6% ao ano. E já há indústrias nacionais a dar cartas na área.

Ter um animal de estimação está na moda. São cães, gatos, coelhos, pássaros e até répteis que entram em casa e são tratados nas palminhas. Gostos à parte, a indústria alimentar dos animais de estimação é já um negócio à escala mundial, que envolve grandes players internacionais. Em Portugal, as contas apontam para um gasto anual das famílias na ordem dos 500 milhões de euros em alimentação. A tendência é de crescimento e regista-se a nível europeu. Os gatos estão a ganhar espaço nas zonas urbanas.

No último ano móvel findo a 21 de abril, os lares portugueses gastaram nas lojas da distribuição moderna (supermercados e hipermercados) 228 milhões de euros em alimentação para cães e gatos, revelam os dados fornecidos pela Nielsen. Nesse período, a alimentação dos fiéis amigos implicou um gasto de 110 milhões de euros, um aumento de 1% face ao ano móvel anterior, com 35% dos lares a adquirirem produtos desta categoria. Já os gatos foram motivo para dispêndios de 108,6 milhões de euros, um crescimento de 7%, sendo que 39% das famílias compraram alimentos para estes pequenos felinos.

Segundo Moura da Silva, presidente da Associação Portuguesa de Comerciantes de Produtos para Animais de Companhia, os cerca de três mil estabelecimentos em Portugal que comercializam produtos para animais geram um volume de negócios na ordem dos 250 milhões de euros e empregam cerca de dez mil pessoas. Estas pequenas e médias empresas, a maioria de cariz familiar, e a grande distribuição somam, assim, vendas globais muito próximas dos 500 milhões. E isto sem acrescentar as despesas com acessórios, consultas veterinárias, banhos, tosquias ou serviços de hotel.

Crescimento de 6%

Jorge Moura, CEO da Ornimundo – cadeia de lojas especializadas em animais -, estima que o mercado esteja a crescer a uma média de 4% a 6% ao ano, com o domínio das categorias cão e gato, que representam mais de 80%. “Desde que o cão saiu do quintal e entrou em casa que a atitude para com os animais mudou, houve uma humanização dos pets”, diz. O consumo de produtos alimentares aumentou significativamente nos últimos anos e há quem recorra inclusive a alimentos vegan (porque já os há), transferindo as tendências da alimentação humana para os amigos de quatro patas. Como adianta, é um setor “resiliente à crise, as pessoas podem fazer um trading down mas não deixam de comprar”.

“A tendência é claramente de crescimento e vai em linha com a evolução da sociedade”, frisa Jorge Moura. O pet tem um papel ímpar na vida dos idosos, as crianças adoram e os adultos ou já tiveram e voltam a ter um animal de estimação ou são empurrados pelos filhos. O gestor lembra ainda que numa sociedade onde há cada vez mais pessoas a viver sozinhas, o animal de estimação ganhou particular relevo.

Segundo Jorge Moura, “o gato é uma categoria estrela, é um fenómeno urbano”. Apartamentos pequenos, longas jornadas fora de casa e fins de semana sem preocupações (um gato fica bem dois dias em casa sozinho, desde que tenha água e comida) conduziram muitas pessoas a adotarem estes pequenos felinos. Também se regista uma tendência por cães de pequeno porte.

Negócio mundial

O mercado é de tal forma relevante que multinacionais como o grupo Mars (tem marcas como Pedigree e Whiskas) ou a Nestlé (Purina, Friskies ou One) marcam presença neste ramo. Em Portugal, também há indústrias a dar cartas na área. Sorgal Pet Food (grupo Soja de Portugal), Avenal Rações ou Ovargado fabricam alimentos para cães e gatos, entre outros animais, que vendem sob marca própria e de terceiros, e também exportam. Segundo a federação europeia do setor, o negócio vale 21 mil milhões de euros por ano na Europa e as perspetivas são de crescimento.

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