Portugueses já gastaram quase 6,5 mil milhões em compras no supermercado

As vendas do mercado de bens de grande consumo estão a crescer 2,4% face ao ano passado. São mais 153 milhões de euros, com especial destaque para as categorias de alimentação e bebidas.

O mercado de bens de grande consumo, ou seja, as compras para o lar que as famílias fazem nos super e hipermercados, continuam a crescer, sobre um período homólogo que já foi de grande dinamismo. No total, entre janeiro e meio de agosto, os portugueses gastaram 6.483 milhões de euros no retalho alimentar, o que representa um crescimento de 2,4% face ao período homólogo. São 153 milhões de euros a mais.

Os dados são dos Scantrends da NielsenIQ, referem-se à quadrisemana que terminou a 15 de agosto, e mostram um crescimento homólogo de 2,4%, com especial destaque para os artigos de mercearia e para as bebidas alcoólicas e não alcoólicas.

Depois de um início de 2020 marcado pela pandemia provocada pela doença covid-19 e pelas preocupações dos portugueses em armazenarem grandes quantidades de alimentos por causa do confinamento, evitando sair tantas vezes à rua, as vendas de produtos de mercearia estão este ano a crescer 3% versus os 10% registados em igual período do ano passado.

Em termos práticos, dos quase 6,5 mil milhões deixados nos supermercados, mais de 2,5 mil milhões foram para artigos de mercearia (39,2%). Seguem-se os laticínios com 1.095 milhões, menos 1% do que o ano passado. Quanto aos congelados, absorveram 512 milhões de euros. Curiosamente, nos dados comparativos das quadrissemanas, as únicas quebras de consumo em 2021 face ao ano de 2020 acontecem, precisamente, na quadrisemana 8 a 12, em março, que equivale ao decretar do primeiro confinamento em Portugal. Não admira, por isso, que se assista a um decréscimo de 5,1% comparativamente ao total gasto pelas famílias o ano passado, neste período.

A segunda quebra acontece na quadrissemana 16 a 20, com 4,2% a menos, e que equivale a meados de maio, ou seja, às semanas imediatamente anteriores à reabertura de estabelecimentos como restaurantes, cafés e pastelarias.

Estes foram estabelecimentos sujeitos a grandes restrições no âmbito das medidas de combate à pandemia, o que levou muitos portugueses a intensificar as compras para o lar. E, por isso, as bebidas alcoólicas, que o ano passado haviam crescido 9%, este ano estão a crescer 11%, mostrando que a mudança de hábitos de consumo parece ter vindo para ficar. Também as bebidas não alcoólicas estão este ano com grande dinamismo, com ass vendas a subir 5%, versus o 1% do período homólogo.

Em termos de tipologia de produtos, e ainda ao nível da categoria de bebidas, são as marcas de fabricante as que mostram desempenhos mais positivos, com um crescimento homólogo de 8,7%, o que não admira, já que, por natureza, o consumidor privilegia produtos de marca nas bebidas, ao contrário de outras categorias, como a alimentação, em que as marcas brancas e de primeiro preço têm uma quota de 43,5%, e os artigos de higiene, com um peso de 31,2%.

Quanto ao valor, é significativo que a compra de bebidas alcoólicas seja a terceira parcela em que os portugueses gastaram mais dinheiro: foram 726 milhões de euros, correspondentes a 11,2% da fatura total no supermercado. As bebidas não alcoólicas são a parcela mais pequena dos gastos; são 6,6% correspondentes a 427 milhões de euros.

Na categoria de higiene, os gastos com produtos de higiene pessoal estão a crescer 1% enquanto os da higiene para o lar estão a cair 2%, quando o ano passado dispararam acima dos dois dígitos, o que se pode atribuir ao contexto pandémico. Entre higiene pessoal e higiene para o lar, as famílias portuguesas deixaram, este ano, 1.1180 milhões de euros nos supermercados.

Os Scantrends mostram-nos, ainda, a evolução do consumo por tipo de retalho, sendo que os formatos mais tradicionais (mercearias e livres serviços) estão a cair 2,7% face ao ano passado e os pequenos supermercados perdem 1,7%. Os hipermercados estão em linha com o período homólogo, mas são os grandes supermercados que mais estão a ganhar, com as vendas a crescer 9,1%.

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