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Portugueses utilizam pouco os serviços digitais

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Movimento pela Utilização Digital Ativa quer acelerar a adesão aos serviços online oferecidos por empresas e Estado.

O desejo de tornar Portugal um país digital por defeito, ou seja, em que a primeira opção é eletrónica, não vem de hoje. Desde 2007 existem vários serviços públicos digitais e ao mesmo tempo obrigatórios: do cartão de cidadão eletrónico à entrega digital do IRS.

Também muitas empresas alteraram os seus modelos de negócio para o digital para ganhar em eficiência e reduzir nos custos. É o caso da banca, para a qual aumentar o número de utilizadores do homebanking (em 2016, eram 26% os portugueses que diziam utilizar a banca online) significa poupar nas despesas com pessoas e balcões físicos de atendimento.

Mas uma coisa é a oferta de serviços digitais que tem vindo a crescer, outra é a adesão das pessoas. A oferta existe, mas a procura não acompanha, diz Alexandre Nilo da Fonseca, um dos mentores e pai do projeto MUDA ou Movimento pela Utilização Digital Ativa, que junta várias empresas, associações e universidades na missão de acelerar o ritmo de adoção das tecnologias digitais.

Os números da União Europeia mostram um país com oferta avançada, mas que fica atrás na utilização. Em 2016, mais de 70% da população já utilizava a internet, mas apenas 28% tinha competências digitais avançadas.

O mais grave, para Nilo da Fonseca, que também é líder da Associação do Comércio Eletrónico, é que 26% da população nunca usou a internet (“os mais velhos, mais pobres e com menos literacia”) e cerca de 40% usam a internet de forma básica, aderindo ao e-mail, às redes sociais e pouco mais.

A ideia de base das mais de 32 entidades promotoras do movimento, em que se inclui a agência pública responsável pela modernização administrativa, é que todos os serviços venham a ter como primeira opção o digital. “Temos preparado o plano de ação Digital by Default com medidas concretas que nos indicam qual a legislação que tem de ser mudada”, avança Alexandre Nilo da Fonseca.

Quando sabemos que muitas pessoas nem a fatura da eletricidade conseguem pagar online, como é que o MUDA espera dar resposta a quem não tem computador ou dispositivo móvel, muito menos acesso à internet? “Através da ligação às bibliotecas das escolas onde existe o equipamento”, explica o diretor executivo, acrescentando que confia na criação de uma rede de voluntários locais para suprir as faltas de conhecimento. Espera ainda que a parceria com o Banco de Bens Doados faça chegar computadores oferecidos pelas empresas a quem precisa.
Além da maior adesão à fatura eletrónica e ao homebanking, o MUDA defende o fim da obrigação legal de manter um arquivo em papel dos documentos das Finanças – deve passar a formato digital – e o alargamento da Chave Móvel Digital aos sites das empresas. Esta palavra-passe de acesso às páginas do Estado, “uma desmaterialização do cartão de cidadão”, já existe e foi criada pela Agência para a Modernização Administrativa. Mas Alexandre Nilo da Fonseca acredita que “a sua utilização pode ser alargada aos sites das empresas, aumentando o potencial de utilização através de uma oferta alargada e mais simples de usar.”

Até 2020, a missão do projeto é reduzir o número de pessoas que nunca acederam à internet de 26% para 15% e aumentar o número de utilizadores com competências mais avançadas de 28% para 50%.

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