Preço das casas sobe 11,8% no Porto e 4,4% em Lisboa

O mercado imobiliário continua resiliente à pandemia, mas há sinais de abrandamento no crescimento dos preços dos imóveis. Se a crise se agudizar é provável que se verifique uma quebra.

O preço de venda das casas continua a aumentar nas duas principais cidades do país, embora já se registe um abrandamento nessa evolução ascendente devido aos efeitos da crise pandémica. No Porto, os imóveis para habitação apresentaram uma subida de 11,8% no terceiro trimestre do ano, face a igual período de 2019, segundo dados avançados pela Confidencial Imobiliário com base no Índice de Preços Residenciais. Já em Lisboa, o incremento é menos expressivo, fixando-se neste período em 4,4% face ao homólogo. Contudo, verifica-se que na Invicta o preço das casas registou uma quebra de 0,4 entre julho e setembro face ao segundo trimestre de 2020. Lisboa ainda garantiu uma subida de 0,8%.

Segundo Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, a subida do preço das casas em Lisboa "já vinha num processo de arrefecimento desde 2019", um ritmo que se está a manter este ano. Já no Porto, a valorização dos imóveis começou mais tarde do que na capital e, inicialmente, muito centrada na zona histórica, estendendo-se ao longo do tempo à restante cidade, o que justifica o aumento homólogo de 11,8%, diz. O responsável sublinha que a descida verificada no Porto no terceiro trimestre face aos três meses anteriores e a estagnação registada em Lisboa são, no atual contexto, mais relevantes sobre a atual conjuntura do mercado imobiliário, já que traduzem "uma suspensão da valorização das casas". Na sua opinião, essa será, possivelmente, uma tendência que se irá estender ao longo dos próximos meses.

Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), lembra que "é nestas regiões que se concentra um maior número de ativos a ser comercializado a preços que podemos considerar de certo modo especulados, que resulta de um forte desequilíbrio entre a oferta e a procura", e, por isso, "é natural que se comecem a registar algumas correções destes preços". Ainda assim, frisa, os dados de Lisboa e Porto ainda "não permitem tirar conclusões concretas sobre o desempenho dos preços no mercado imobiliário".

Na sua opinião, o imobiliário "é e continua a ser um porto seguro de investimento, e não há motivos para que se registem desvalorizações relevantes", excetuando "pequenas correções de preços sobreaquecidos". Para o líder associativo, "não há excesso de stock, bem pelo contrário - as classes média e média baixa continuam sem conseguir encontrar casas à medida das suas possibilidades".

Futuro incerto


Os sinais de abrandamento na subida do preço das casas são ainda ténues e ainda é preciso esperar para concluir se essa tendência se irá manter, e se o mercado entrará num ciclo de descida de preço. Ricardo Guimarães lembra que a duração da pandemia será determinante para essa evolução. Na sua opinião, os apoios ao lay-off e as moratórias do crédito têm constituído "uma almofada que tem segurado o mercado". Mas se a pandemia se prolongar por muitos mais meses e a crise económica se acentuar, aumentando o desemprego e as falências, é provável que os proprietários comecem a baixar os preços dos imóveis. Para já, "vão segurar os valores dentro do que lhes é possível, há ainda uma forte resistência do mercado", afirma.

Luís Lima também admite que "é muito difícil fazer previsões num cenário de absoluta incerteza" como o desta crise pandémica. No entanto, reconhece ser "expectável que haja alguma retração" no setor e um adiamento das decisões por parte das famílias e investidores. Para o responsável, é provável que se venha a fixar uma tendência de "estabilização e manutenção dos preços praticados".

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