Energia

Preço do gasóleo aumenta 8,1% e o da gasolina 5,1% num ano

Combustíveis

De 2017 para 2018 o gasóleo aumentou de 1,242 para 1,343 euros por litro abastecido. Há 10 anos era 0,6% mais barato do que é hoje.

Os portugueses estão a pagar mais pela energia que consomem, seja em casa, quando acendem a luz, ou para se deslocarem de automóvel, quando vão a uma bomba de combustível atestar o depósito. A conclusão é da primeira edição da publicação “Energia em Números 2019” do Observatório da Energia, apresentado esta segunda-feira na sessão pública “Mais e melhor informação em energia”, a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

No que diz respeito aos combustíveis rodoviários em Portugal Continental, diz o estudo, revelado no evento promovido pela ADENE – Agência para a Energia em parceria com a DGEG – Direção Geral de Energia e Geologia, que o gasóleo foi o que mais subiu entre 2017 e 2018: +8,1% em apenas um ano, de 1,242 para 1,343 euros por litro abastecido. Há uma década este combustível custava 1,260 euros por litro e era apenas 0,6% mais barato do que é hoje.

Por seu lado, a gasolina 95 ficou em 2018 5,1% mais cara do que no ano anterior, subindo de de 1,463 para 1,537 euros por litro. Há 10 anos – em 2008 -, refere o mesmo estudo, a gasolina era apenas 1% mais barata e custava 1,386 euros por litro nas bombas. “Andamos 7% acima da média europeia”, revelou Paulo Salteiro, da DGEG, que apresentou o estudo. O documento será agora publicado no site da ADENE – Agência de Energia e da própria DGEG.

Preço da luz aumentou 4,2% e o gás 2,1% em 10 anos

A análise mostra que em 2018 os preços da eletricidade (incluindo taxas) para consumo doméstico registaram aumentos: mais 0,6% face a 2017, para os 0,227 euros por kWh. No entanto, se recuarmos uma década e a comparação for face a 2008, os preços da eletricidade estão hoje 4,2% mais caros. Nessa altura, os consumidores pagavam apenas 0,150 euros por kWh.

“Estamos a pagar caro pela eletricidade. E no gás natural também estamos lá em cima”, disse o responsável da DGEG.

No gás natural, em 10 anos os preços para as famílias ficaram 2,1% mais caros: de 17,42 euros por gigajoule (GJ) em 2008 para 21,42 euros/GJ em 2018. Pelo contrário, olhando para 2017, no espaço de um ano os valores cobrados pelo gás natural desceram quase 2%, de 21,82 para 21,42 euros por gigajoule.

“Comparativamente com os parceiros da UE-28, em 2018, Portugal apresentava o 6º preço mais elevado para eletricidade destinada ao setor doméstico e o 9º no caso do setor industrial. No gás natural, em 2018, o preço do setor doméstico era o 10º mais reduzido e o 9º mais reduzido no setor industrial”, conclui o documento, acrescentando que Portugal é 4º país com a maior dependência energética da UE-28 (79,7% em 2017), cerca de 25 pontos percentuais acima da média europeia (55,1%).

“Na dependência energética Portugal não surge muito bem na fotografia”, admitiu Paulo Salteiro, o responsável da DGEG que apresentou o estudo, acrescentando que os portugueses até são “poupadinhos” no consumo de energia.

Isto porque, no que diz respeito ao consumo de energia final por habitante, em 2017 Portugal foi 5º país da UE-28 com menor consumo per capita, menos 26,8% face à media. No consumo de eletricidade, cada habitante gastou anualmente, em 2017, 4,64 MW/h, mais 1% do que em 2016 e menos 1,3% do que em 2007.

Mais 66,2% de potência instalada renovável face a 2008

Com as renováveis a assumirem 6,8% no mix do consumo de energia final, o petróleo (e os produtos derivados) continua a ser a principal componente do consumo de energia final (48,4%), mas com tendência a decrescer, enquanto que o gás natural atingiu em 2017 o seu valor máximo (11,1%) relativo ao período 1997-2017. A eletricidade assumiu 25,7% neste mix.

O documento “Energia em Números 2019” mostra que em 2018 a potência instalada total em Portugal era de quase 22 mil MW, mais 33% do que em 2007. Neste cenário, a potência instalada das renováveis para a produção de energia elétrica aumentou ligeiramente face a 2017 (+2,1%) e muito significativamente em relação a 2008 (66,2%, dos 8459 para 14059 MW em 10 anos).

“No ano 2008, a potência renovável representava 51,3% da potência total instalada; em 2018, atingia os 64,2%. Em 2018, foram atingidos valores máximos das potências instaladas da hídrica (7 096 MW), eólica (5 379 MW), fotovoltaica (689 MW) e biomassa (861 MW)”, conclui o estudo. Apesar disso, a produção hídrica sofreu uma queda abrupta de mais de 50%

Quanto ao saldo importador na fatura energética (preços correntes dos respetivos anos) em 2018 agravou-se face a 2017 (+28,2%) devido ao elevado aumento das importações, mas melhorou em relação a 2008 (-40,4%) devido às exportações, que duplicaram o valor desse ano, revela ainda o mesmo documento. A Rússia é o maior fornecedor de energia a Portugal, com 13% das exportações a virem deste país, sobretudo petróleo e gás, revelou ainda Paulo Salteiro.

Na sessão pública “Mais e melhor informação em energia”, dirigida a empresas e entidades do setor, bem como ao consumidor final, será também apresentada a nova aplicação app do portal Poupa Energia, abrindo-se ainda espaço à discussão em torno da legislação recente sobre o “Regime de Cumprimento do Dever de Informação do Comercializador de Energia ao Consumidor”. Nesta mesa redonda, moderada pela diretora do Dinheiro Vivo, Rosália Amorim, participarão diferentes atores do mercado energético: ERSE, DECO, Associação Zero, Direção Geral do Consumidor, Pordata e ACEMEL.

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