Leite

Preço do leite em queda na UE exige medidas urgentes

Produtores de leite manifestam-se em Bruxelas
Produtores de leite manifestam-se em Bruxelas

Hoje é um dia decisivo para os produtores de leite da Europa. Depois do fim das quotas, a 1 de abril, o setor vive uma crise sem paralelo. Só em Portugal, desde o início do ano, abandonaram a atividade cerca de 200 produtores, de acordo com a Federação das Cooperativas de Leite, a FENALAC.

O problema agudizou-se com o fim das quotas leiteiras, que originou um grande excedente de produto no mercado, esmagando os preços. Em junho, o preço em Portugal era de 0,288 euros/quilo. Mas não era muito melhor em Espanha: 0,294euro, ou Itália: 0,347euro.

De acordo com os dados do do observatório do mercado do leite, em junho, o preço médio da tonelada de leite era de 30 euros, uma quebra de 20% face ao mesmo mês de 2014, de 1,8% face a maio último e de 9% em relação à média dos últimos cinco anos.

As estimativas do observatório apontam para que o preço do leite cru continue a recuar nos próximos meses e tudo aponta para que os produtores enfrentem dificuldades de tesouraria.

Por todas as razões, os ministros da Agricultura dos 28 reunem-se hoje em Bruxelas, com o objetivo de encontrar medidas, a nível europeu, para enfrentar a crise. Nas ruas já estão os produtores de leite, representados por associações de vários países, incluindo de Portugal, em manifestações promovidas pelo “European Milk Board”.

O secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque, acredita que vai haver uma solução: “São vários os países que a pedem, não apenas do Sul da Europa, mas também do Norte e a França, todos eles afetados com o embargo à Rússia”.

Uma das medidas possíveis “passa por retirar leite do mercado, através da compra pública de leite em pó e manteiga. Desta forma, a quantidade de produto no mercado diminui e o mercado melhora”.

Outra passa por apoios à armazenagem privada. “São medidas existentes na Política Agrícola Comum, têm é que ter os seus valores reajustados à nova realidade”.

João Diogo Albuquerque refere ainda a compensação aos produtores, “que Portugal já conseguiu antecipar de dezembro para outubro”, embora adiante que o Governo pretendia que fosse permitida “uma maior percentagem nesta antecipação de 50% para 80%”. Desta forma, frisa, “beneficiamos a tesouraria dos produtores”. E lembra que Espanha só vai fazer este pagamento em fevereiro.

Entretanto a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, já anunciou que, “muito rapidamente” entrará em vigor a medida de isenção de contribuição para a Segurança Social temporária que visa ajudar os produtores de leite, “para ajudar à liquidez” .

Se o Executivo está confiante, a FENALAC não está. Fernando Cardoso lamenta “a divisão que existe neste tema entre os diversos países”, sem que haja uma voz única nesta matéria. O fim das quotas “criou um sentimento de orfandade por parte dos produtores de leite, porque passou a haver uma oferta desmesurada, os preços baixaram e não existe um instrumento legislador comum que regule o setor. Nada está regulado”, afirma.

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