Habitação

Preços altos atiram venda de casas para mínimo em quatro anos

( Gustavo Bom / Global Imagens )
( Gustavo Bom / Global Imagens )

APEMIP diz que, mesmo em Lisboa, o céu não é o limite, e que os compradores já estão a pensar duas vezes.

O preço das casas não para de aumentar, embora agora bem mais devagar. Resultado: as vendas, que estacaram o passo nos últimos três trimestres, estão a crescer ao ritmo mais baixo dos últimos quatro anos. Portugal é o país da UE onde os preços mais subiram ao longo de 2018 – 10,3%, segundo o Eurostat -, mas “não vão subir sempre até ao céu”.

O índice de preços da habitação já está a voar mais baixo, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados ontem. No primeiro trimestre deste ano, a subida ficou pelos 9,2%, uma décima abaixo do aumento verificado nos últimos três meses do ano passado e bastante mais abaixo dos 12,2% de subida do início do ano passado. O abrandamento é mais evidente no preço das casas novas, onde o agravamento se conteve nos 6%; já nas casas usadas, os preços crescem 10%.

Os preços altos refletem-se já em algum abrandamento do mercado imobiliário. Até março, venderam-se 43 826 habitações, apenas mais 7,6% que nos primeiros três meses do ano passado. Nessa altura, a subida andava em perto de 16%. Ou seja, o mercado perdeu metade da velocidade. O INE destaca três trimestres consecutivos de desaceleração e um crescimento que toca mínimos de quatro anos, ainda que nunca se tenham vendido tantas casas como agora.

Para a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), a travagem acontece à vista de preços incomportáveis para muitos cidadãos nacionais e menos apetecíveis para estrangeiros à procura de investimento. “Começa a haver um tomar consciência dos preços. As pessoas já pensam duas vezes”, diz o presidente, Luís Lima.

“Começámos a ter cada vez mais um diferencial entre aquilo que as pessoas querem pagar e o valor a que se quer vender. Enquanto não houver esse equilíbrio, vamos assistir a uma diminuição das transações. Ou então, outras zonas começam a ser apetecíveis para o investimento”, avisa.

O país não é todo igual. Com exceção de Lisboa, Porto e Algarve, a procura continua a crescer acima dos níveis do início do ano passado – na zona centro, com aumentos de 18%, e no Alentejo de 16,7%. Mas no Algarve o primeiro trimestre trouxe mesmo uma quebra nas vendas.

Para Joaquim Montezuma de Carvalho, da ImoEconometrics, ainda é cedo para avaliar as mudanças no sul do país. Apesar do recuo de 5% nas vendas, frente ao mesmo período do ano passado, o economista diz que “este comportamento não significa necessariamente uma tendência de descida da procura de habitação no Algarve”. Será preciso esperar para ver a evolução até junho.

Mas, nos grandes centros urbanos, do país, poderemos agora estar perto do pico. “O potencial de crescimento está um bocado limitado neste momento, quer em Lisboa quer no Porto”, admite.

A APEMIP continua a defender que é preciso aumentar uma oferta que seja comportável para “nacionais, jovens e classe média”, num mantra que tem vindo a ser repetido desde o ano passado. Luís Lima admite que os preços, se não forem estancados, levarão a desvios de investimento para mercado mais baratos. Designadamente, Magrebe e Espanha. “Não quero criar nenhum sobressalto, mas tem de haver um sentido de responsabilidade. Os preços não vão subir sempre até ao céu”.

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