Imobiliário

Preços das casas em Lisboa aumentaram mais de 55% nos últimos três anos

Lisboa
(Leonardo Negrão / Global Imagens)
Lisboa (Leonardo Negrão / Global Imagens)

Só no primeiro trimestre do ano, o crescimento foi de 7,1% face ao período homólogo, sendo de 10,5% no todo nacional. APEMIP estima que o segundo trimestre traga quebras significativas

O preço das casas em Lisboa aumentou 55,5% nos últimos três anos, passando de 1875 euros o metro quadrado, no primeiro trimestre de 2017, para 3333 euros no final de março de 2020. É o valor mais alto de todo o país. No mesmo período, e a nível nacional, a evolução foi de, apenas, 26,78%, para um preço médio de 1117 euros. No Porto, a habitação valorizou 66,63% e custa hoje, em média, 1873 euros por metro quadrado, quase 759 euros a mais do que no primeiro trimestre de 2017.

Estes são dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e que mostram que, mesmo no primeiro trimestre deste ano, o preço da habitação em Portugal continuou a subir: 10,5% no todo nacional. Lisboa cresceu 7,1%, abaixo da média. Vila Nova de Gaia sobressaiu por ser a cidade com o maior crescimento face ao período homólogo (+20,1%), destacando-se ainda com variações expressivas os municípios da Amadora (+19,9%), Braga (+16,6%) e Porto (+11,4%). No entanto, o INE lembra que estes são dados do primeiro trimestre e que, por isso mesmo, não traduzem ainda o impacto da covid-19 no mercado habitacional.

Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), não concorda e lembra que a pandemia fez-se já sentir na segunda metade do mês de março, com o confinamento e o consequente Estado de Emergência. Admite, no entanto, que os dados do trimestre seguinte serão já bastante mais influenciados pela paragem do setor, que só recomeçou a trabalhar a partir de 1 de maio e, mesmo assim, “com dificuldades”, porque “os estrangeiros continuam sem poder cá vir ou vêm muito pontualmente”.

Queda de 30 a 40% nas vendas
Para este responsável, é de esperar quebras de vendas da ordem dos 30 a 40% abaixo do período homólogo. “Vejo isso com naturalidade, não quero criar alarmismo, mas ninguém pense que o imobiliário não vai sofrer, claro que vai, como todos os outros setores. E enquanto não se retomar uma certa normalidade, designadamente a nível de visitantes estrangeiros, não conseguimos, ainda, antever exatamente quais vão ser as consequências”, defende.

O que preocupa Luís Lima é que a “boa imagem” com que Portugal estava lá fora, ao nível do controlo da pandemia, “está hoje a alterar-se” e isso “tem consequências” no dia a dia das empresas. De qualquer forma, mantém-se “cauteloso” na análise ao mercado: “Se calhar, o imobiliário até reagirá melhor que outros, pelo menos sentimos alguma procura, designadamente por parte de interessados em moradias em sítios mais isolados, ou de municípios apostados em promover programas de rendas acessíveis”.

Com quatro a cinco mil empresas a operar no imobiliário em Portugal, Luís Lima reconhece que nem todas sobreviverão. “Estou confiante na resiliência do setor, mas apreensivo com o futuro. Ninguém sairá incólume. E, tal como nos outros setores, com toda a certeza que nem todas as empresas sobreviverão. Já assim foi no tempo da troika. O imobiliário serve quase de barómetro ao estado de saúde da economia. Tão depressa fecham muitas como, assim que os sinais de recuperação existente, abrem outras tantas”, sustenta.

Questionado sobre os apoios do Governo às empresas, Luís Lima é perentório: “Foram as medidas possíveis, mas ficaram muito aquém das necessidades. A verdade é que não sei se há dinheiro para mais”.

Parque das Nações em alta
Voltando aos dados do INE, Lisboa é, como se sabe, o município mais caro do país, sendo que, na ponta oposta está Barrancos, o mais barato, com um preço médio da habitação de 116 euros por metro quadrado. Na Área Metropolitana da Lisboa, o município mais caro é Lisboa, claro, com os referidos 3333 euros em média, sendo que o mais barato é a Moita, com 820 euros por metro quadrado. Em termos de freguesias, destaque para o aumento do preço médio de 25,7% no Parque das Nações, para 4162 euros, de 19,2% na Misericórdia, para 5112 euros o metro quadrado, e de 16,3% em Santa Clara, onde o metro quadrado da habitação custa, em média, 2393 euros.

As três freguesias mais caras de Lisboa são as habituais: Santo António, que inclui a Avenida da Liberdade e áreas adjacentes, cujo valor médio da venda de alojamentos, no primeiro trimestre, foi de 5340 euros por metro quadrado, a Misericórdia, que abarca o Bairro Alto e o Cais do Sodré, com 5112 €/m2, e Santa Maria Maior, que inclui a zona do Castelo e Baixa/Chiado, onde o preço médio do metro quadrado foi de 4807 euros.

Subidas também no Porto
No Porto, a União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde é a zona mais cara da cidade, com um preço de venda de 2593 €/m2 e que, mesmo assim, cresceu 11,6% face ao mesmo período de 2019. O mesmo aconteceu com as duas mais caras a seguir, a União das Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos, onde o metro quadrado custa 2241 euros, e a União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, com um preço médio de 2169 €/m2. O crescimento foi de 16,2% e de 9,8%, respetivamente.

O INE destaca ainda o aumento de preços da habitação no Bonfim (+16,9%), Campanhã (+9%) e Paranhos (+19,3%).

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