Preços dos combustíveis devem continuar a descer

A guerra comercial entre os EUA e a China é um dos fatores que pressionam as cotações internacionais do petróleo.

Os combustíveis registaram, esta semana, a maior descida nos últimos cinco anos, acima de sete cêntimos por litro na gasolina e quatro cêntimos no gasóleo, e a tendência é para continuar, mas de forma menos acentuada, acredita Pedro Lino, da Dif Broker.

O corretor lembra que a queda do preço do petróleo nos mercados internacionais tem sido “o grande responsável” pelas mexidas sentidas pelos consumidores. É que os stocks americanos “estão a subir” e a guerra comercial entre os EUA e a China e a incerteza em torno do crescimento da economia mundial “estão a pressionar os preços”. “Esta tendência deve continuar nos próximos meses”, argumenta, mas “os alívios, infelizmente, terão menor dimensão”.

A subir continuamente desde o início do ano, a cotação do petróleo nos Estados Unidos começou, no final de abril, a sua trajetória de correção. Até aos dias de hoje. Em causa está, diz Pedro Amorim, da corretora financeira Infinox, a redução acentuada das exportações venezuelanas, mas, também, o regresso das sanções ao Irão.

Mais, o conflito comercial entre os Estados Unidos e a China e a incerteza que cria não está a ajudar. Na quarta-feira foi conhecido que as reservas de petróleo nos Estados Unidos voltaram a subir pela segunda semana consecutiva, mostrando que há um excedente de oferta em relação à procura. A consequência imediata foi a queda, a pique, do preço do crude nos mercados, que chegou a transacionar abaixo dos 51 dólares por barril.

Mas hoje, a notícia do ataque a dois petroleiros no Golfo de Omã , fez subir, mais de 4%, os preços do barril de petróleo. As cotações acabaram por baixar ao longo do dia, mas, ao final da tarde, os preços mantinham-se em alta face à véspera, negociando o Brent acima dos 61 dólares o barril na Bolsa de Londres e acima dos 52 dólares na Bolsa de Nova Iorque. Recorde-se que cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passa pelo Golfo de Omã.

Para o final do mês de junho está agendada a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e produtores aliados que irá analisar a evolução do mercado. A Arábida Saudita já fez saber da sua vontade de manter os cortes de produção, pelo menos até ao final do ano, e Pedro Amorim, da Infinox, assume que essa venha a ser a decisão, levando os preços dos combustíveis “a subir novamente”.

Lembre-se que, no ano passado, a organização e seus aliados, incluindo a Rússia, acordaram numa redução, a partir de janeiro, da oferta em 1,2 milhões de barris por dia no primeiro semestre do ano. O problema é que a produção nos Estados Unidos continuou a crescer, numa altura em que o abrandamento económico aponta para uma redução na procura.

Enquanto se aguarda pela reunião da OPEP – está agendada para 25 e 26 de junho, embora a Rússia pretenda adiá-la para 3 e 4 de julho, pretensão apoiada pela Arábia Saudita, mas já recusada pelo ministro iraniano do Petróleo -, a organização divulgou hoje o seu relatório mensal, que aponta para um crescimento da procura mundial de petróleo em 1,14 milhões de barris por dia, um valor 1,2% abaixo da projeção anterior.

A culpa é da guerra comercial. “Ao longo da primeira metade do ano, as tensões comerciais escalaram resultando num crescimento mais fraco na procura global de petróleo”, pode ler-se no relatório, citado pela agência Bloomberg. A OPEP destaca, ainda, que “o abrandamento da economia global observado no primeiro semestre será, ainda, mais desafiado no segundo semestre”.

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