Inflação

Preços vão aumentar em janeiro em cerca de um terço das portagens

Receitas cresceram em todas as autoestradas

Inflação homóloga foi em outubro de 1,42% e deverá ser esta a ordem de grandeza de atualização das portagens.

As concessionárias das autoestradas têm até amanhã para entregar ao governo e ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) a sua proposta de atualização dos preços das portagens para 2018. A ordem de grandeza do aumento deverá ser de 1,42% – em linha com a taxa de inflação homóloga sem habitação registada em outubro. Cerca de um terço dos troços com portagem deverão aumentar de preço já a partir de 1 de janeiro.

Pelo segundo ano consecutivo, o valor pago pelos automobilistas em alguns lanços das autoestradas portuguesas vai subir. A evolução da taxa da inflação ao longo de 2017 já permitia antecipar este desfecho e constatar que o aumento que vai ser fixado a partir de 1 de janeiro irá superar o de 2017 – que foi de 0,84%.

Este dado global não permite, no entanto, fazer ainda contas ao impacto em cada troço e para cada classe de veículos. Este quadro geral só será conhecido mais para o final do ano, quando o governo, depois de analisar as propostas das várias concessionárias, tornar pública a sua decisão de atualização das taxas de portagens.

O método de atualização do preço das portagens está definido na lei, e inclui um mecanismo de arredondamento que determina subidas para o múltiplo de cinco cêntimos quando da aplicação da fórmula resultar uma subida superior a 2,45 cêntimos. Exemplificando: se da aplicação da fórmula de atualização a determinado troço e classe de veículos resultar um aumento inferior a 2,5 cêntimos, não há mudanças. Mas se o resultado superar 2,5 cêntimos, haverá uma subida de pelo menos cinco cêntimo no preço a pagar pelo utilizador.

Simulações realizadas pelo Dinheiro Vivo indicam que nos percursos de valor mais reduzido, como acontece, por exemplo na autoestrada entre Lisboa e Cascais, não deverá haver mexidas de preços. Mas na A1, o troço Alverca/Grijó deverá ficar 30 cêntimos mais caro e a portagem na Ponte Vasco da Gama deverá subir 5 a 10 cêntimos.

Esta metodologia faz com que em anos de inflação baixa a maioria dos preços acabe por não ter qualquer alteração. Foi o que sucedeu em 2017, ano em que os 0,84% de taxa de inflação homóloga registados em outubro de 2015 implicaram mudanças em apenas 19 das 93 taxas geridas pela Brisa. Já nas Infraestruturas de Portal, a mudanças de preços chegou a 95 das 500 tarifas de portagem.

Para já, as concessionárias de autoestradas contactadas pelo Dinheiro Vivo não querem avançar com dados sobre o impacto que a taxa de inflação possa ter nos diferentes troços, mas fonte conhecedora do processo admite que possa haver mexidas em cerca de um terço.

As portagens são uma receita relevante para as concessionárias e os dados relativos a 2016 indicam que, nesse ano, os automobilistas pagaram 515,3 milhões de euros à Brisa. O valor traduz um aumento de 7,1% face a 2015 e estima-se nova subida em 2017, já que nos primeiros nove meses deste ano o tráfego aumentou 6,5% em termos homólogos. Do lado da Infraestruturas de Portugal, a receita acendeu a 340 milhões de euros, contra 316 milhões em 2015.

A taxa de inflação homóloga também deverá ditar aumentos nas pontes Vasco da Gama e 25 de Abril. No caso da Lusoponte (que tem a concessão das duas travessias do Tejo), a proposta de atualização tem de chegar ao governo até a 7 de dezembro e é a inflação homóloga sem habitação de setembro que serve de referência: 1,40%.

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