Agroalimentar

Prémio. Indústria agroalimentar quer cativar alunos com dois mil euros

Caixa de alimentos

Até ao próximo dia 3 de abril estão abertas as candidaturas à 3.ª edição do Prémio Ecotrophelia.

Vai uma bebida de soro de leite com morango? E que tal uma feijoada vegetariana pronta a comer? Ou um snack salgado, ou em forma de gelado ou mousse? E se fosse uma bebida refrigerada, derivada de soro do leite com polpa de morango? Estes são alguns exemplos de projetos com sucesso nas duas últimas edições do Prémio Ecotrophelia, promovido pela PortugalFoods.

As duas últimas edições mobilizaram no país 150 estudantes, mais de 20 academias e outras tantas empresas, tendo sido desenvolvidos 32 produtos eco-inovadores, isto é, que além de introduzirem algo novo no mercado, tiveram em conta os recursos usados, em temos de impacto ambiental.

Chegou agora uma nova etapa. Até ao próximo dia 3 de abril estão abertas as candidaturas à 3.ª edição portuguesa deste galardão, com o qual a indústria agroalimentar quer estimular a eco-inovação, e também o aprofundamento dos canais entre empresas e instituições de ensino superior, considerados “insuficientes”, na opinião do presidente do júri, Vergílio Folhadela Moreira.

Serão premiados os três melhores projetos, com valores sucessivos de 2000€, 1000€ e 500€, embora o desafio maior seja a oportunidade de o vencedor seguir para a competição a nível europeu, onde participam 17 países. “Não é pelo valor. Ganhar, ganham todos os que concorrerem, pela experiência que adquirem e possibilidade de irem mais longe”.

Como nas edições anteriores, são esperadas candidaturas de todas as academias, do Minho ao Algarve, e com várias valências. Será um novo momento para combater o “diálogo de surdos” entre universidades e empresas, apontado por Vergílio Folhadela, ele próprio administrador (do grupo RAR), ex-dirigente associativo e ex-professor na Faculdade de Engenharia do Porto.

“Na academia querem publicar artigos e serem reconhecidos por eles, mas não têm urgência no seu trabalho. Nas empresas, não sabem formular o seu problema, não sabem onde ir buscar ajuda, mas querem urgência”, aponta o empresário.

E que não haja dúvidas: “Para ter sucesso, o estudante tem que se pôr na posição do consumidor e antecipar uma necessidade”, recomenda o embaixador do prémio. “O grande teste de qualquer produto é quando chega a uma loja e é escolhido pelo consumidor, que estará, ou não, disposto a pagar para o ter em troca”.

Mesmo em relação às empresas que têm alguma resistência à mudança, Vergílio Folhadela deixa um aviso: “Ou se inova ou se morre. Veja-se o caso do pão. Há uns anos, era todo igual. E agora? No entanto, as matérias primas já existiam e eram as mesmas, só que não estavam a ser usadas como agora”.

Para os estudantes, reforça: “Este prémio acresce preparação e alarga horizontes, em termos de conhecimento. E obriga a cumprir timings”. As empresas, por sua vez, poderão aqui “identificar talento” e empreendedores.

Os 10 finalistas da edição de 2019 serão conhecidos a 15 de abril e a entrega dos prémios nacionais ocorrerá a 21 de maio, na Alfândega do Porto. A competição internacional segue para a Alemanha, em outubro, a Anuga, considerada a maior feira de alimentação do mundo.

Ciente da importância da inovação na indústria agroalimentar – já é o terceiro setor com maior peso nas exportações nacionais –, Vergílio Folhadela sublinha um derradeiro conselho: “Só se triunfa sendo diferente, tendo e criando valor”.

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