bancos centrais

Presidente da Reserva Federal dos EUA demite-se

Janet Yellen com Mario Draghi, do BCE. Fotografia: EPA/ARMANDO BABANI
Janet Yellen com Mario Draghi, do BCE. Fotografia: EPA/ARMANDO BABANI

Yellen sucedeu a Ben Bernanke. Liderava a Fed, o maior banco central do mundo, desde 1 de fevereiro de 2014.

Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed, o banco central do país), acaba de anunciar a sua demissão.

Yellen, de 71 anos, foi nomeada pelo anterior Presidente dos EUA, Barack Obama, e iniciou o seu mandato de presidente a 1 de fevereiro de 2014. Antes disso, fora vice-presidente desde outubro de 2010.

O mandato como líder máxima da Fed acabava a 3 de fevereiro do ano que vem, mas a decisora continuaria a ter assento no conselho de governadores, cargo que só iria expirar no final de janeiro de 2024.

No entanto, numa carta enviada esta segunda-feira ao Presidente dos EUA, Donald Trump, a economista diz que opta por sair da cúpula monetária, o que aparenta ser uma prática comum na instituição nos últimos anos.

Em todo o caso, existem vários indícios de que o atual Presidente Trump não tem total empatia com o estilo da banqueira central. Disse que ela era “incrível (“terrific”)” embora ao mesmo tempo sinalizasse que não gostou muito do “cunho pessoal” que ela imprimiu na política monetária.

Entretanto, já há nome para o próximo presidente da Fed. Será Jerome Powell, da Universidade de Princeton, também ele membro (desde 2012) do conselho de governadores da instituição.

Na missiva, Yellen diz que quer sair da Fed logo que Powell assuma o seu cargo, rejeitando ficar na instituição por mais anos.

Na carta, a professora emérita da Universidade da Califórnia em Berkeley congratulou-se com os resultados do seu trabalho e do antecessor Bernanke à frente da Fed, referindo-se à maior resistência que o sistema financeiro tem agora face a crises futuras e aos “17 milhões de empregos criados” na economia doméstica nos últimos oito anos.

Foi pela mão de Yellen que a Fed aprofundou o ciclo de tapering (desmame do QE – quantitative easing ou seja a redução das compras do banco central de grandes quantidades de ativos e de dívida pública aos bancos comerciais dos EUA).

O anúncio de que a Fed iria começar a apertar as condições monetárias ultra favoráveis foi feito em meados de 2013 por Bernanke. O banco central começou a reduzir efetivamente as compras de ativos em janeiro de 2014, um mês antes de Yellen assumir a liderança.

Além disso, a Reserva também já começou a subir taxas de juro. Durante o mandato de Yellen, a taxa central principal (Fed funds) subiu de 0,25% (esteve neste nível entre final de 2008 e final de 2015) para 1,25% em junho de 2017, valor onde permanece desde então.

Só para se ter um termo de comparação, o Banco Central Europeu (BCE) ainda nem começou efetivamente o QE e desde março de 2016 que a taxa principal de refinanciamento está em 0%, o valor mais baixo desde que o banco da zona euro existe (1998).

Agora é a vez de Jerome Powell assumir os comandos da política monetária dos EUA. A ainda presidente diz ter “confiança” nele e sente que “está profundamente comprometido” com a missão da Reserva Federal. “Farei tudo para assegurar uma transição suave”, acrescenta na carta enviada ao “excelentíssimo Donald J. Trump”.

Tal como Trump, Powell é do Partido Republicano. É ainda um histórico da banca privada e do sector dos fundos de investimento nos EUA e fez carreira no governo federal (Tesouro), chegando a subsecretário de Estado do Tesouro pela mão de George W. Bush.

(atualizado às 20h00 com mais informações)

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