Presidente do Banco Carregosa: “Sempre me senti bem num mundo tradicionalmente masculino”

Maria Cândida Rocha e Silva
Maria Cândida Rocha e Silva

É a única banqueira em Portugal, a primeira mulher portuguesa a exercer a profissão de corretora de bolsa e presidente do Conselho de Administração do Banco Carregosa. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Maria Cândida Rocha e Silva fala sobre o papel da mulher no mundo dos negócios, dominado pelos homens.

Como é ser mulher numa empresa e num mundo dominado por homens? Qual a importância e o contributo de ter uma presença feminina à frente dos destinos de uma empresa/instituição?

Sempre me senti bem num mundo tradicionalmente masculino, como o sector financeiro. Sempre fui respeitada e tratada com naturalidade, sem discriminação positiva ou negativa. Mas eu sei que nem sempre assim é. Sinto-me, em vários planos da vida, uma pessoa de sorte. Os homens com quem trabalhei e com quem trabalho atualmente são pessoas de boa formação ética, moral e cívica e isso, sim, é que faz a grande diferença. As pessoas boas tendem a tratar bem o seu semelhante. Um homem que não respeite uma mulher é, antes do mais, uma pessoa que não respeita outra. Pelo facto de ser mulher, posso dar mais atenção a uns pormenores que os homens não dão ou preocupar-me com aspetos com que normalmente os homens não se preocupam. Dessa complementaridade é que se faz o sucesso, parece-me.

Na sua opinião, porque é tão difícil encontrar mulheres à frente das administrações das empresas e das instituições portuguesas? Quais os entraves?

É sabido que o mundo de hoje é apressado (mesmo que, às vezes, corra sem saber para onde corre) e as avaliações que fazemos são rápidas e mal fundamentadas. Não é por falta de preparação já que as universidades estão cheias de mulheres que, normalmente, são mais aplicadas, mas porque tradicionalmente o homem tem mais tempo, não vai para casa a correr acabar o jantar. Por muito que se vejam já exemplos diferentes, a mulher continua a ser muito responsabilizada pela vida familiar, o que lhe deixa menos tempo para se dedicar à sua ambição profissional. Estatisticamente é assim, e é isso que conta. Os números hão-de ser mais equilibrados no futuro, mas não à velocidade que desejamos.

Se tivesse de enumerar três pontos fortes e três pontos fracos de administradores masculinos e femininos, quais seriam?

Na minha pobre opinião não há muito pontos masculinos e pontos femininos. Vivemos muito juntos, aprendemos uns com os outros e há muito uma preocupação de mimetismo, de não querer ser diferente porque tudo está previsto e é tudo ‘by the book’. O facto de trabalharmos em conjunto faz com que essas diferenças se esbatam e, provavelmente, será assim melhor. Mas estamos a massificar-nos com o medo perdermos o nosso lugar no mundo do trabalho. As previsões dizem que dentro de alguns anos não haverá decisores humanos, são as máquinas que vão ser chamadas a decidir e as máquinas não têm sexo. O que me preocupa no Banco Carregosa não é escolher homens ou mulheres, mas sim escolher pessoas honestas, trabalhadoras, com boa formação de carácter e que respeitem todas as pessoas com quem precisam de lidar.

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