Prestações da casa aumentam mas ainda podem descer este ano

Mario Draghi, presidente do BCE
Mario Draghi, presidente do BCE

Há uma boa e uma má notícia. Primeiro vem a má: as prestações da casa cujo valor seja revisto neste mês de junho, com base na média das taxas Euribor de maio, irão ficar mais caras já no próximo mês. A boa notícia é que a tendência de médio prazo é no sentido da descida, embora ligeira, uma vez que o BCE deverá nos tempos mais próximos tomar medidas que consigam travar a tendência deflacionista na Europa.

Naquilo que diz mais diretamente respeito ao bolso do consumidor, as perspetivas são um pouco negras. Quem tiver um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos e com um spread de 1% (aplicável a empréstimos mais antigos, uma vez que os novos têm um mínimo de 3%), pagará mais 4,27 euros em julho relativamente à anterior revisão (feita em março com base na Euribor a 6 meses de fevereiro), totalizando uma prestação de 341,15 euros a pagar no próximo mês. O agravamento chega quase aos 52 euros mensais, passando a 554,43 euros, se o empréstimo for de 150 mil euros e indexado à Euribor a 3 meses, mantendo-se as outras condições iguais.

A reunião do Banco Central Europeu (BCE) na próxima quinta-feira poderá dar alguns sinais sobre o futuro próximo. “Espera-se que o BCE na sua reunião do próximo dia 5 de junho tome medidas preventivas em relação ao cenário deflacionista. De notar que a taxa de inflação na Zona euro é atualmente de 0.7% e que o objetivo do BCE se situa na casa dos 2%. Em termos de medidas esperadas, Mario Draghi poderá optar por um corte de taxas de juro para níveis próximos de zero (taxa atual nos 0,25%), por colocar a taxa de depósitos no BCE negativas ou avançar com um novo programa de empréstimos aos bancos, mas desta vez com o objetivo de financiar as PME da Zona Euro”, afirma Vasco Balixa, analista financeiro e administrador da consultora Lotus.

Perante este cenário, será expectável que os juros das Euribor venham a descer? “O crédito poderá voltar a ter um preço ligeiramente mais baixo que o atual mas sem margem para grandes correções. Estamos perto de mínimos históricos ao nível de taxas de juro na Zona Euro e o crédito aos consumidores finais (particulares e empresas) só não é mais baixo porque os bancos estão ainda em processo de desalavancagem”, afirma Vasco Balixa.

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