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Procura por ouro diminuiu 7% durante o ano passado

Ouro em máximos de 15 meses acima dos 1300 dólares

Investidores recuaram nas aplicações relacionadas com o metal precioso e os bancos centrais fizeram menos aquisições, revela o World Gold Council.

A procura mundial por ouro diminuiu 7% durante o ano de 2017, para 4071 toneladas, revelou o relatório do World Gold Council. O aumento da procura no último trimestre (+6% face ao homólogo de 2016) não compensou a diminuição de 5% nas compras feitas por bancos centrais e de 2% na aquisição de barras e moedas. A procura por joalheria aumentou 4%, impulsionada pela Índia (+12%) e pela China (+3%) e a procura para a indústria automóvel e para a tecnologia aumentou pela primeira vez em sete anos.

Durante o ano passado, as reservas de ouro dos bancos centrais adquiriram 371,4 toneladas do metal precioso (-5% face a 2016), ainda que as expetativas indicassem que as taxas de juro em níveis mínimos nalguns dos maiores mercados pudessem incentivar aquisições. As aquisições foram dominadas por um pequeno número de compradores: a Rússia (com 1838,8 toneladas de reserva no fim do ano), a Turquia (200 toneladas no fim do ano, partindo de 86 toneladas de reserva), Cazaquistão (300 toneladas no fim do ano) e poucos pequenos compradores, como a Colômbia (4,6 toneladas), Venezuela (4,4 toneladas), Indonésia (2,5 toneladas), Jordânia (2,2 toneladas), República do Quirguistão (1,8 toneladas), Tailândia (1,6 toneladas) e Mongólia (1,3 toneladas).

O banco central que mais ouro vendeu em 2017 foi o da Alemanha, que aplicou 4,3 toneladas na cunhagem de moedas.

Os fundos europeus foram responsáveis por 73% das operações com ETF baseados em ouro durante o ano passado (148,9 toneladas). O total detido globalmente por esses fundos aumentou 9% para 2368,2 toneladas até ao fim do ano (+2165,4 toneladas que em 2016), apesar de a procura ter abrandado na segunda metade do ano com o aumento da cotação do metal.

No total de 2017, a procura de ouro em joalheria aumentou 4% graças ao aumento da procura a Oriente, enquanto nos EUA o aumento foi mais tímido (+3%) e, na Europa, o setor viveu o terceiro ano consecutivo de declínio na procura (-3%) “em grande parte devido à fragilidade do mercado do Reino Unido, que permaneceu agitado com preocupações relativas ao Brexit”, explica o World Gold Council.

A procura por moedas e barras de ouro caiu fortemente em 2017 devido à quebra acentuada (-65%) nos EUA: de 93 toneladas anuais, passou para apenas 39,4 toneladas. “A queda acentuada ficou a dever-se, em parte, a um 2016 forte e, noutra parte, porque a atenção dos investidores dirigiu-se para os equity markets norte-americanos que atingiram novos máximos históricos”, elucida o referido relatório.

A China foi o maior mercado para moedas e barras em 2017, com 306,4 toneladas de investimento (+8%). O Médio Oriente mais que duplicou o investimento nestes produtos em 2017, porém, nota o relatório, o mercado ainda está em apenas 40,5 toneladas quando, entre 2007 e 2016, a média anual já foi de perto de 70 toneladas. Na Europa, a procura diminuiu 7% com declínio em todos os mercados.

A procura por ouro para tecnologia e indústria aumentou pela primeira vez desde 2010 (3%), especialmente para o setor de eletrónica (4%), ainda que tenha diminuído nas aplicações dentárias (-6% para 16,8 toneladas). O aumento da procura por sensores para smartphones e de chips para redes sem fios incentivaram a procura recorde por ouro (estimada em 20 a 30% só no último trimestre do ano).

No que respeita à oferta, o fornecimento de metal precioso caiu 4% em 2017 graças à diminuição de 10% na reciclagem, ainda que as minas tenham mantido valores de produção ligeiramente superiores aos do ano anterior e os maiores de sempre.

O ouro tem estado a valorizar-se, especialmente com a queda na bolsa norte-americana desta semana, cotando 8,56% acima do valor de há um ano, a cerca de 1340 dólares por onça troy.

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