Procura por transportes na Grande Lisboa ainda abaixo da de 2019

No ano passado, até setembro, os passageiros da Área Metropolitana de Lisboa cresciam 18%.

A procura de transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa (AML) está a crescer mensalmente desde a quebra drástica registada em abril, mês de confinamento devido à covid-19, embora se mantenha em níveis muito inferiores aos de 2019.

De acordo com a Área Metropolitana (AML), a autoridade de transporte na região de Lisboa, dados ainda não consolidados de setembro revelam que pelo menos 440 mil passes foram vendidos nesta área até 17 de setembro, cerca de 60% em relação ao mesmo mês do ano anterior, altura em que foram vendidos 723.505 destes títulos de transporte (sem incluir os números do Navegante 12, nem os passes próprios dos operadores, com valor inferior a 40 euros).

A AML destacou ainda que estes resultados estão de acordo com as previsões e que os transportes rodoviários em Lisboa estão já com uma oferta de cerca de 100%.

Os números dos últimos meses parecem maus em comparação com os períodos homólogos, mas se considerarmos a queda vertiginosa verificada em abril, no início da pandemia, o uso dos transportes públicos tem vindo a aumentar de forma regular desde então.

Segundo dados da AML, antes do início da aplicação do Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART), em abril de 2019, tinham sido vendidos nesta área 598.398 passes em janeiro, 578.546 em fevereiro e de 571.760.

Com os novos preços de um máximo de 40 euros para o passe Metropolitano, que dá para viajar em todos os operadores em toda a área metropolitana, e do Navegante Municipal, com um máximo de 30 euros para viajar num mesmo concelho, a compra de passes em abril de 2019 passou para 625.254, um crescimento superior a 30% em comparação com os que foram vendidos no mesmo período em 2018.

O crescimento foi constante, tendo sido vendidos 679.552 passes em junho, 723.505 em setembro e 769.708 em dezembro.

Nos primeiros nove meses de funcionamento, até ao fim de 2019, o PART permitiu aumentar em 18% os passageiros na Área Metropolitana de Lisboa, onde foram transportados cerca de 477 milhões de passageiros, dos quais mais de 398 milhões utilizaram o passe, segundo dados divulgados pelo Ministério do Ambiente.

No início de 2020 previa-se mais crescimento, com 770.516 passes vendidos em janeiro, 765.392 em fevereiro e 761.099 ainda em março, quando já se anunciava a pandemia, mas ainda antes de o país entrar em confinamento, em meados desse mês.

No entanto, em abril, com o confinamento, o número de passes comprados baixou para os 72.231, ou seja, menos 553.023. Foi uma perda de 88,5% nas vendas em relação ao mês homólogo.

De salientar que em abril, para evitar o perigo de contágio com a covid-19, a AML permitiu que os passes não fossem validados a bordo, pelo que não é possível avaliar a quantidade de passageiros que viajaram sem comprar título de transporte.

Desde a queda de abril, o número de passes comprados tem tido um crescimento constante: em maio, mês em que a validação voltou a ser obrigatória, foram vendidos 236.907 passes, em junho 334.327, em julho 351.249 e em agosto, mês em que a venda destes títulos de transporte desce devido ao período de férias, foram este ano vendidos 357.186.

Este crescimento verifica-se em todos os segmentos de passes. Por exemplo, o Navegante Metropolitano, o passe mais vendido, foi adquirido por 457.966 pessoas em março, por apenas 45.736 em abril, 146.456 em maio, 211.119 em junho, 227.605 em julho e 235.015 em agosto.

Apesar do crescimento regular, estes números ficam ainda muito aquém dos de 2019: em maio as vendas representam 41,4% dos passes vendidos no mês homólogo de 2019, em junho 49,1% dos vendidos em junho de 2019, em julho 53,8% das vendas de julho do ano passado, e em agosto 61,1% em relação a agosto de 2019.

Segundo um relatório divulgado em 28 de setembro pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, o PART teve em 2019 um financiamento total de 102,2 milhões de euros provenientes do Orçamento do Estado e das autarquias, 98,6% dos quais aplicados pelas autoridades de transporte em medidas de redução tarifária e 1,4% em medidas de aumento da oferta.

A AML representou um investimento de 70,9 milhões de euros (70% do financiamento total).

O IMT salientou ainda que a pandemia tem condicionado fortemente a utilização de transportes públicos em 2020, especialmente desde o momento em que foi decretado o estado de emergência nacional, pelo que “é admissível considerar que, no início de 2021, os patamares de utilização do transporte público possam ainda não ter regressado aos valores registados em 2019”.

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