Produção de energia hídrica ultrapassa carvão. Solar é a próxima aposta

Consumo a partir de hídricas cresceu mais de 70% em 2016. 57% do consumo já foi da produção das renováveis

A energia consumida a partir de produção hídrica ultrapassou, o ano passado, as centrais a carvão. A produção a partir de hídricas registou o segundo valor mais elevado de sempre e cresceu 73% face a 2015, numa altura em que as renováveis já são responsáveis por 57% do consumo nacional.

A energia hidráulica representa 28% do total, seguida da eólica, que pesa 22%. Em sentido inverso, as centrais a carvão registaram uma queda de 14% no fornecimento da energia consumida, segundo os dados divulgados pela REN, que gere a rede elétrica.

Este crescimento da produção hídrica mostra que “Portugal tem um potencial renovável muito grande e está a conseguir tirar proveito dessa aposta”, diz ao Dinheiro Vivo Jorge Seguro Sanches, secretário de Estado da Energia. “Apostámos muito na produção hídrica e eólica e agora a grande aposta está no solar, que tem registado uma diminuição significativa nos custos”, acrescenta o governante.

A energia produzida a partir de fontes eólicas aumentou 8%, mas não é divulgado o crescimento da solar, que representou apenas 1,4% do total da produção.

O baixo valor de produção “acontece porque não se acreditou que este tipo de energia fosse vingar e não foram criadas condições” para a produção, afirmou recentemente ao Dinheiro Vivo, António Sá da Costa, presidente da APREN, a associação de energias renováveis. Em alguns países esta é a forma mais barata de produzir energia e a expectativa é que essa tendência se torne global já em 2025, segundo o estudo Climatescope 2016, realizado pela Bloomberg.

Também o secretário de Estado da Energia reconhece que “o desafio agora é tornar o nosso mix energético mais equilibrado. Temos já uma forte componente hídrica e eólica, mas o grande objetivo é o solar e o desafio é que este potencial possa servir para exportação”. Esse trabalho já começou a ser feito. O governo já autorizou centrais solares que totalizam 370 megawatts sem subsídio dos consumidores. A última aprovação foi realizada em Alcoutim, no Algarve, para 200MW, num investimento privado de 200 milhões de euros, revela Seguro Sanches.

Já do lado das exportações ainda há vários passos a dar. O ano passado, o saldo exportador de energia em 2016 equivaleu a 10% do consumo nacional e o objetivo é reforçar as exportações, sobretudo através das interligações energéticas. Em cima da mesa está a construção de uma interligação com Marrocos que permita a exportação de energia entre os dois países - a adjudicação do estudo para a construção da infraestrutura foi adjudicada na passada semana. As negociações entre a Península Ibérica e França para a interligação dos Pirenéus também se têm intensificado, isto depois de o encerramento de centrais nucleares ter feito disparar as exportações de Portugal e Espanha para aquele país.

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