vindimas

Portugal vai produzir 6,7 milhões de hectolitros de vinho este ano

90 mil pessoas trabalham nas vindimas

A produção aumentou 11%, mas há zonas do país onde os efeitos da seca foram notórios. Os vinhos Verdes e a Bairrada crescem o dobro do que previam

Portugal é dos poucos países da Europa com boas notícias no plano vitivinícola. É que, não só a produção aumentou, este ano, como o vinho é de “excelente qualidade”, diz o Instituto da Vinha e do Vinho, lembrando que, raramente, estes dois fatores acontecem em simultâneo. Segundo as declarações entregues pelos vitivinicultores até 15 de novembro, data limite para indicar a produção da vindima, serão produzidos na campanha de 2017/2018 um total de 6,7 milhões de hectolitros, mais 11% do que o ano passado.

Producao vinho-17 net

Os dados representam uma ligeira subida face às previsões iniciais, que apontavam para um crescimento total na ordem dos 10% e que o IVV chegou a admitir que pudesse ser menor, dado os efeitos da seca no Alentejo que se percebeu, logo no arranque da vindima, que seriam significativos. E a região, que, em julho, previa uma produção similar à do ano passado, acaba por perder quase um milhão de hectolitros, com uma quebra de 9% face ao ano anterior. Em contrapartida, os vinhos Verdes crescem mais do dobro do previsto: 32% para um volume total de 974 mil hectolitros. Frederico Falcão, presidente do IVV, é perentório. “Das regiões de menos sofreram com a seca, os verdes destacam-se”. O crescimento é, também, muito significativo na Beira Atlântico, conhecida pelo DOC Bairrada, no Dão, e nas regiões de Lisboa e Península de Setúbal.

Pelo contrário, a produção do Douro só aumenta 6%, contra os 20% inicialmente previstos, tal como Trás-os-Montes regista um aumento de apenas 1%, quando se estimava que fosse de 15%. Regiões de interior e que, como tal, sofreram de forma mais aguda o efeito das elevadas temperaturas e da seca.

A nível mundial, os dados da Organização Internacional do Vinho apontam para uma redução de 8% na produção, para o valor mais baixo nos últimos 50 anos. A ‘culpa’ é da quebra na Europa que, apresenta, valores de produção “historicamente baixos”, em especial nos seus três maiores produtores: a Itália perde 11,6 milhões de hectolitros (menos 23% face ao ano anterior), a França perde 8,5 milhões de hectolitros (uma quebra de 19%) e Espanha produz menos 5,8 milhões de hectolitros (uma redução de 15%).O que está a inflacionar a venda de vinho a granel. “O preço dos vinhos a granel está a subir o que pode abrir oportunidades para quem opera neste mercado. Claro que o reverso da medalha é que as empresas portuguesas que compram vinho a granel para fazerem os seus lotes vão ter a matéria-prima mais cara”, frisa Frederico Falcão.

De qualquer forma, o presidente do IVV reconhece que o facto de Portugal ser dos poucos países europeus com crescimento de produção – só a Roménia, a Hungria e a Áustria tiveram um bom ano vitícola – abre boas perspetivas às empresas nacionais. “É uma oportunidade porque podemos ganhar alguma quota, até, nos mercados de exportação. É muito positivo”, frisa.

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