Opinião: Rosália Amorim

Produtividade em agosto? Sim, é possível!

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Que crescimento é este que deixa os portugueses a ganhar salários ainda mais baixos? Um estudo do FMI revelou nesta semana que Portugal tem os custos laborais mais baixos entre os países do ajustamento. O estudo analisa Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha e afirma mesmo que há “salários mais baixos em vez de ganhos de produtividade”.

Os quatro países (Espanha é considerada porque teve um programa de ajuda, ainda que só para bancos) reduziram de forma muito pronunciada os custos unitários do trabalho (custo por trabalhador), entre 2014 e 2016, com descidas na ordem dos 10% ou 15%. No caso de Portugal, os custos laborais unitários terão caído 15% desde 2014, o último ano do programa de ajustamento. Em 2017, voltaram a subir, mas pouco (menos de 2% em termos nominais). E, se os trabalhadores sonhavam com um aumento no final deste ano ou no próximo, a Comissão Europeia já disse que prevê que os custos unitários do trabalho em Portugal tenham uma evolução relativamente fraca em 2018 e 2019. Mesmo com aumentos do salário mínimo e a política da reposição de rendimentos dos últimos anos, esses custos, embora subam, estão em desaceleração. Bruxelas espera um aumento de 1,5% e em 2019 o ritmo baixa para 1,2%, que será assim o valor mais baixo desde 2015.

Portugal é o país onde a competitividade mais recupera no biénio 2017-18 face a 2015-16. Na Irlanda caiu ligeiramente; em Espanha e Grécia ficou estagnada. Coloquemos portanto os olhos na Irlanda, pois continua a ser o país mais competitivo e onde a produtividade é mais elevada.

O mês de agosto não será o melhor para pedir aos portugueses mais produtividade, mas é preciso que trabalhadores e também os empresários pensem já nisso e inscrevam esta palavra na agenda para a rentrée, dando-lhe toda atenção e foco. Podemos ser competitivos com salários baixos, mas sem produtividade dificilmente alcançaremos salários dignos.

Ainda que para a Comissão Europeia seja “provável que o aumento do salário médio da economia como um todo seja parcialmente compensado por uma forte criação de emprego em atividades com salários abaixo da média”, pergunto se é isso que os portugueses querem, ou seja, empregos, mas sempre pobrezinhos?

A maioria das novas contratações têm acontecido em setores com perfis de baixas qualificações e salários abaixo da média. E, nada bom sinal, a proporção de empregados temporários está num dos níveis mais altos da União Europeia. É hora de gozar as férias, de norte a sul e dentro ou fora de portas, mas é também hora de fazer balanços e definir metas para a rentrée.

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