Produtores de Alvarinho queixam-se de discriminação a Bruxelas

Alvarinho é uma casta de uva branca que existe em Portugal, Espanha, EUA

A guerra do Alvarinho está para durar. Um grupo de produtores da região dos Vinhos Verdes decidiu pedir a intervenção da Comissão Europeia para pôr fim ao que considera uma violação da equidade entre viticultores.

Em causa está a legislação que concede, em exclusivo, a Monção e Melgaço o direito a usar a designação “Vinho Verde Alvarinho” nos seus rótulos. As restantes sub-regiões da região dos Vinhos Verdes podem produzir Alvarinho, mas não o podem certificar como vinho Verde (DOC – Denominação de Origem Controlada). Isto quando, no resto do país, a casta Alvarinho é autorizada nas regiões demarcadas do Douro, Tejo, Lisboa, Alentejo e Setúbal-Palmela, e os vinhos são certificados como DOC Alvarinho em cada uma delas e assim identificados nos respetivos rótulos.

Nos Verdes, para colocar Alvarinho no rótulo, o vinho tem de ser desclassificado para IG Minho (Indicação Geográfica), o que lhe retira valor no mercado. “Enviámos uma carta à Comissão Europeia pedindo que nos expliquem qual é a legalidade desta situação. Até porque o conteúdo da portaria nacional que torna exclusivo o uso da indicação da casta Alvarinho à sub-região de Monção e Melgaço não se encontra reproduzido no caderno de especificações comunitário e, por isso, é que esta situação de discriminação não foi detetada”, acredita Diogo Coelho, da Quinta da Raza de Celorico de Basto.

Do outro lado da barricada, estão os produtores de Monção e Melgaço e os autarcas, que vão aproveitar a Feira do Alvarinho, que decorre de sexta a domingo em Monção, para fazer correr um abaixo assinado de apoio a manter a lei como está.A petição pública está já online sob a designação ‘Alvarinho só há um, o da sub-região de Monção e Melgaço e mais nenhum’.

Recorde-se que na semana passada, o Conselho Geral da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes – composto por 10 elementos da produção e outros tantos do comércio – decidiu, por 16 votos a favor e 3 contra, pedir ao Governo que permita a rotulagem de “Vinho Verde Alvarinho” em toda a região demarcada. Uma questão polémica e que gerou forte contestação dos autarcas socialistas de Monção e Melgaço.

O Conselho Geral reúne segunda-feira, agora para aprovar normas de detalhe, de modo a avançar com uma proposta específica ao Governo. O presidente da Comissão dos Vinhos Verdes, Manuel Pinheiro, sublinha que é ao Conselho Geral, “legítimo representante dos produtores e comerciantes”, que cabe deliberar que medidas entende necessárias e propo-las ao Governo.

Mas sempre avança ser favorável a uma solução negociada. Ou seja, que haja uma abertura faseada no tempo ao resto da região e que, em simultâneo, haja um apoio à promoção dos vinhos de Monção e Melgaço, para que ganhem verdadeira dimensão comercial. Isto sem esquecer a rotulagem. “Julgo que deveria ser criado algum tipo de distinção para os vinhos de Monção e Melgaço. É justo. Verdadeiramente, foram eles que construíram a marca Alvarinho. Caíram foi no erro de o fazer sobre uma planta em vez de uma região”, lembra.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho (D), e o secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita (E). Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Salário mínimo de 635 euros? Dos 617 dos patrões aos 690 euros da CGTP

concertação

Governo sobe, sem acordo, salário mínimo até 635 euros em 2020

concertação

Governo sobe, sem acordo, salário mínimo até 635 euros em 2020

Outros conteúdos GMG
Produtores de Alvarinho queixam-se de discriminação a Bruxelas