Douro

Prospeção mineira, despovoamento e alterações climáticas são ameaças ao Douro

O barco da Estação Biológica Internacional atraca no final de uma viagem pelo Parque Natural do Douro Internacional, em Miranda do Douro, 09 de outubro de 2019. Nesta reserva, o Douro forma, durante cerca de 115 quilómetros, uma fronteira natural entre Espanha e Portugal, mas, mais do que separar, une, porque as terras das arribas partilham tudo, não só história e cultura, mas economia, costumes e até problemas, como o despovoamento. (ACOMPANHA TEXTO DO DIA 19 DE OUTUBRO DE 2019). CARLOS GARCIA/EFE/LUSA
O barco da Estação Biológica Internacional atraca no final de uma viagem pelo Parque Natural do Douro Internacional, em Miranda do Douro, 09 de outubro de 2019. Nesta reserva, o Douro forma, durante cerca de 115 quilómetros, uma fronteira natural entre Espanha e Portugal, mas, mais do que separar, une, porque as terras das arribas partilham tudo, não só história e cultura, mas economia, costumes e até problemas, como o despovoamento. (ACOMPANHA TEXTO DO DIA 19 DE OUTUBRO DE 2019). CARLOS GARCIA/EFE/LUSA

O ministro do Ambiente já deu a garantia de que a prospeção prevista na região duriense deixa de fora a zona classificada como Património Mundial.

A Liga dos Amigos do Douro Património Mundial (LADPM) alertou este sábado para “as ameaças” ao território classificado pela UNESCO em 2001, como os pedidos de prospeção mineira, o despovoamento e as alterações climáticas.

“Explorar minérios, nomeadamente a céu aberto é incompatível com o projeto de futuro que temos para a Região Demarcada do Douro”, afirmou o presidente da Liga, António Filipe, que falava em São João da Pesqueira, distrito de Viseu, durante as comemorações do 18.º aniversário da classificação do Alto Douro Vinhateiro (ADV) como Património Mundial da UNESCO.

O responsável referia-se a “três avisos”, publicados no Diário da República, de pedidos de prospeção, dois relativos a zonas contíguas e outro separado, mas num “total de mais de 1000 quilómetros quadrados de área potencial de prospeção” que, na sua opinião, são “claramente sobreponíveis numa parte muito importante do ADV e da Região Demarcada do Douro (RDD)”.

O responsável frisou que o “ADV está classificado como monumento nacional e tem uma zona especial de proteção que corresponde à RDD”.

“Surpreendeu-nos o facto de os avisos terem sido sequer publicados, ou seja, na nossa opinião há razões, até do ponto de vista legal, para deferir tacitamente estes pedidos à partida”, salientou.

António Filipe frisou que a “preocupação existe”.

“Apesar do Governo nos ter dado garantias de que não haverá prospeção no ADV, não nos foram dadas garantias de que o mesmo não se passe no resto da Região Demarcada do Douro”, acrescentou.

“O ADV tem 24.600 hectares, a RDD tem 250.000 hectares e a única garantia que nós temos é que em 10% desta região não haverá prospeção. O que pretendemos é assegurar que, nos outros 90%, também não há prospeção”, afirmou.

O ministro do Ambiente já deu a garantia de que a prospeção prevista na região duriense deixa de fora a zona classificada como Património Mundial.

Também o presidente da Câmara de São João da Pesqueira, Manuel Cordeiro, disse que é preciso “levantar a voz” contra os pedidos de prospeção mineira e frisou que “esta não pode ser permitida em toda a RDD”.

Relativamente a outras ameaças ao Douro, António Filipe elencou que, no “domínio da demografia se verifica uma redução da população a um ritmo alarmante, nomeadamente de 220 mil pessoas, em 2001, para 192 mil pessoas, em 2017”.

“A dimensão ambiental reveste também um caráter de ameaça para o estatuto que não poderá ser menosprezado. A subida estrutural da temperatura média, particularmente a mínima que se tem vindo a registar na região nos últimos 50 anos, a manter-se a tendência no futuro e num cenário de cada vez maior escassez de água para rega de sobrevivência, poderá alterar de uma forma dramática a organização atual do território e, em particular, o da vinha”, sublinhou.

O responsável apontou que, “se não existir uma economia regional forte, particularmente uma economia da vinha e do vinho forte, não haverá gente na região”. “E se não houver gente não haverá vinha, não haverá Património Mundial”, frisou.

“Obtivemos em 2001 este estatuto e de então para cá o caminho tem sido positivo, lento naturalmente, com grandes desafios (…) mas ainda assim olhando positivamente o futuro”, sublinhou.

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