PSD viabiliza Suplementar mas alerta para "valor astronómico" para a TAP

Rui Rio considera que o Orçamento fica marcado por uma ausência - a de Mário Centeno que saiu do Governo na véspera da defesa do documento.

O líder do PSD confirmou esta quarta-feira a viabilização do Orçamento Suplementar, mas alertou para o valor astronómico reservado para a TAP que pode chegar a 1,2 mil milhões de euros.

"Em nome do interesse nacional, iremos viabilizar a proposta que o Governo apresenta ao parlamento, apesar de ela não coincidir com a que o PSD apresentaria se tivesse a responsabilidade de a elaborar", justificou Rui Rio, acrescentando que "se é isto que neste momento Portugal precisa, então é isso mesmo que o PSD cumprirá", frisou.

Mas para o presidente do PSD há uma questão "preocupante". "Há uma verba que marca de forma altamente preocupante este Orçamento Suplementar: o valor astronómico que está destinado à TAP", assinalou Rio, que apontou o orçamento destinado ao Serviço Nacional de Saúde. "Nesta proposta reforça-se, em tempo de pandemia, o SNS em 504 milhões de euros e a TAP em 946. Admite-se, portanto, dar à TAP quase o dobro daquilo que se dá ao SNS, quando a razão de fundo desta crise é justamente um problema de saúde pública", sustentou.

"A TAP está tecnicamente falida e continuou a dar prejuízos com o novo modelo acionista que este Governo inventou e que constituiu o pior dos negócios para o Estado", afirmou o líder social-democrata, acrescentando que "a TAP não se pode tornar num outro Novo Banco; num buraco negro que continuamente vai sugando os impostos dos já tão massacrados contribuintes portugueses", pediu.

E sublinhou que "não aprovar este orçamento, significaria que a empresa fechava já amanhã, uma vez que os acionistas privados - que nela mandam - não parecem estar disponíveis para nela arriscarem o seu dinheiro".

A ausência mais notada

Mário Centeno saiu do Governo na segunda-feira, dia 15 de junho, mas continua a ser figura central do debate do Orçamento que também mão do ex-ministro. E essa ausência foi notada em vários momentos durante as intervenções dos grupos parlamentares.

E também do PSD. "Não faz sentido e é caso único na democracia portuguesa que um Ministro das Finanças, depois de elaborar e fazer aprovar em Conselho de Ministros uma proposta de alteração profunda ao Orçamento do Estado, abandone o Executivo no dia anterior a ter de o começar a defender no Parlamento", afirmou o líder social-democrata.

"Falaram mais alto as clivagens e os desentendimentos internos no Governo do que o respeito institucional e político por esta Assembleia da República; que é o mesmo que dizer, pelo povo português", apontou Rui Rio.

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